11 de julho de 2026
JUBILEU DE OURO

Entrevista com a educadora física Norma Cordeiro, que implantou o Projeto Suavidade

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Tisa Moraes
Norma Frutos Braud Cordeiro

Jubileu de Ouro na Luso

Setembro é um mês importante para a educadora física Norma Frutos Braud Cordeiro e está sendo ainda mais em 2023, quando ela completa 50 anos de atuação na Associação Luso Brasileira de Bauru. Nesta longa e produtiva jornada, foi responsável por trazer a Bauru a chamada ginástica jazz, na década de 1980, época em que as mulheres ocupavam cada vez mais espaços e passaram a se cuidar mais.

Também idealizou e coordena, até hoje, aos seus 72 anos de plena atividade, o Projeto Suavidade da Luso, dedicado a assistir a saúde mental e física de pessoas da Terceira Idade. Nascida em Amambai (MS), Norma mudou-se para Bauru ainda adolescente e, aqui, apaixonou-se pelo balé.

Formou-se em educação física e casou-se com o jornalista Luiz Carlos Cordeiro, já falecido, fundador da Revista Atenção, hoje comandada pelo filho do casal, Carlos Eduardo. Com o marido, também teve Luiz Alberto. Na cidade, ainda aprendeu a pintar telas, tendo muitas delas espalhadas por sua casa, onde mantém uma capela. "Em tudo na minha vida, sinto muito forte a presença de Deus", diz ela, devota de São Francisco e Maria.

Para comemorar seu Jubileu de Ouro na Luso, Norma, agora, está preparando ex-alunas de ginástica jazz para uma apresentação especial, que ocorrerá no clube. Nesta entrevista, ela relembra sua trajetória pessoal e profissional, incluindo os anos em que viveu em um internato, as amizades que cultivou ao promover o bem-estar e as viagens que fez com a família Brasil afora. Leia, abaixo, os principais trechos.

JC - Como foi sua infância?

Norma - Sou caçula de nove irmãos. Quando meu pai se casou com minha mãe, era viúvo e já tinha sete filhos. Depois, nasceram minha irmã Estela e eu. Quando tinha nove anos, meus pais, pensando em uma educação de boa qualidade para nós duas, nos mandaram para um internato no Instituto Americano de Lins, onde convivíamos com 80 meninas. Era uma educação bem completa, cada professor tinha sua sala, com todos os materiais necessários. Tínhamos aula das disciplinas regulares, mas também de orientação sexual, natação, culinária, boas maneiras, artes. Fazíamos apresentações artísticas. E só íamos para casa, no Mato Grosso do Sul, duas vezes ao ano, nas férias. No começo, o afastamento da família não foi fácil, mas ficamos lá até meus 13 anos e tivemos uma educação maravilhosa.

JC - Esse estímulo à arte acabou 'plantando uma semente' para seu futuro?

Norma - Sim. Depois que saímos do internato, já estávamos ficando mocinhas e meus pais não queriam que continuássemos no Mato Grosso do Sul. Então, viemos morar em Bauru, minha mãe veio cuidar da gente e meu pai ficou lá, porque tinha negócios, mas íamos visitá-lo nas férias. E, com uns 15 anos, comecei a dançar balé. Fui aluna da professora Yola Guimarães no BTC e, depois, na Luso. Sempre me apresentava nos festivais de fim de ano. Por conta da paixão pela dança, acabei me formando em educação física, na ITE.

JC - E como ingressou como professora na Luso?

Norma - Em 1973, eu ainda estava cursando educação física, dançava na Luso e fui conversar com um dos diretores para dar aula de ginástica feminina, que não tinha lá. Então, fiz um curso de ginástica jazz em São Paulo e trouxe para Bauru essa modalidade, criada na Europa. Comecei em setembro daquele ano e, agora, estou completando 50 anos de atuação no clube. Em outubro, vamos fazer uma comemoração com apresentação de dança de ex-alunas do curso, inclusive. Eu me formei, me casei, tive filhos e continuo na Luso até hoje. Passei por todos os presidentes, a exceção do primeiro, o comendador José da Silva Martha.

JC - O que motivou a senhora a criar o Projeto Suavidade?

Norma - Quando entrei na Luso, o presidente era o doutor José da Silva Martha, filho do comendador, que sugeriu que fizéssemos algo para idosos. Naquela época, estava começando a surgir o termo Terceira Idade, porque as pessoas passaram a viver mais. E, nos anos 80, elas estavam se cuidando mais. Então, fui fazer cursos com professores de outros países, que vinham ao Brasil para ensinar sobre Terceira Idade. Fui me aprofundando tanto que, em 2000, tinha concluído um projeto sobre o que era necessário fazer para melhorar a qualidade de vida destas pessoas. Ele foi aprovado e eu assumi a coordenação de toda a implantação, ao mesmo tempo em que continuava dando aulas de ginástica.

JC - Imagino que teve muito trabalho neste início.

Norma - O projeto previa a realização de atividades para fortalecer o físico e exercitar a mente. Então, fui contratar fisioterapeuta, professor de educação física, de hidroginástica, além de professor de inglês, para que os alunos pudessem aprender uma língua nova. Hoje, temos também curso de atualidades, para abordagem de temas relevantes, curso de artes, com pintura, bordado, crochê, macramê. Desde o início, foi um sucesso tão grande que, poucos meses depois, parei de dar aulas de ginástica para me dedicar 100% ao projeto, onde continuo até hoje. A grande alegria da minha vida, além de estar com minha família, é conviver com as pessoas do meu trabalho. Conheci pessoas extraordinárias no Suavidade. Algumas já partiram, mas deixaram um rastro de luz na minha vida.

JC - O seu marido, o jornalista Luiz Carlos Cordeiro, sempre apoiou as iniciativas da senhora?

Norma - Comecei a namorá-lo aos 17 anos, quando ainda dançava balé, e nos casamos quando eu tinha 22 anos. A presença dele foi muito importante em todos os momentos da minha vida. Ele era uma pessoa fantástica, despojada, e sempre me deu força em tudo o que eu quis fazer ou inventar. Era um homem que brilhava e que me ensinou a brilhar, a ter luz própria. É a pessoa mais formidável que eu conheci na vida. E era tão apaixonado pelo Brasil, que, junto comigo, levou nossos filhos para conhecer, estudar e descobrir o País inteiro, da Amazônia ao Rio Grande do Sul.