10 de julho de 2026
CRISE

Empresas de pátios e guinchos anunciam demissão em massa

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Divulgação
Os pátios estão lotados

As empresas de pátios, guinchos, desmontes de veículos e peritos avaliadores que prestam serviço para o Detran vão iniciar um processo de demissão em massa que pode atingir mais de 10 mil trabalhadores diretos no Estado de São Paulo. O anúncio foi feito em Santa Cruz do Rio Pardo (a 90 km de Bauru), em reunião emergencial do setor com a presença das diretorias do Segresp (Sindicato das Empresas Proprietárias de Serviços de Reboque, Resgate, Guincho e Remoção de Veículos do Estado de São Paulo), Appagesp (Associação dos Proprietários de Pátios e Guinchos do Estado de São Paulo), Sindisvisp (Sindicato Patronal das Empresas Prestadoras de Serviços de Vistoria em Veículos Automotores do Estado de São Paulo) e Sindesmonte (Sindicato das empresas de desmanche de veículos, comércio de peças recuperadas e sucatas de metais ferrosos e não ferrosos em geral do Estado de São Paulo), além de representantes dos peritos avaliadores de veículos.

O presidente do Segresp, Wilson Jorge Saraiva, explicou que "o motivo das demissões é porque o setor está com as atividades paralisadas desde o mês março, quando o Detran suspendeu todos os leilões agendados e não programou mais nenhum até esse mês de setembro. Enquanto isso, as nossas despesas operacionais e dívidas foram aumentando e chegamos a esse ponto sem nenhuma condição mais de suportar". Saraiva cita que alguns pátios já começaram a atrasar a folha de pagamento dos funcionários, aluguel, pagamentos de água, luz, e o seguro da frota. Diante dessa situação caótica, não temos outra alternativa. É triste, mas são mais de 10 mil pais de família que poderão ficar desempregadas nos próximos dias".

O presidente da Appagesp, Fernando Carvalho, destaca que a situação está gerando prejuízos para os proprietários de veículos. Ele explica que "quando um veículo é leiloado, o valor arrecadado é utilizado para pagar as despesas das diárias — tempo de permanência no pátio — guincho, tributos, IPVA e multas. O restante que sobra é devolvido para o proprietário. Com a paralisação dos leilões, os veículos permanecem meses guardados no pátio. Com isso, depreciam, perdem valor de mercado e os custos das diárias vão se acumulando tanto que já existem diversos casos em que o valor que o bem será vendido já não cobre mais as despesas. A consequência é que o proprietário além de perder o veículo ainda fica devendo para o estado".

De acordo com Verissimo de Souza Júnior, presidente do Sindesmonte - Sindicato das empresas de desmanche de veículos, comércio de peças recuperadas e sucatas de metais ferrosos e não ferrosos em geral do estado de São Paulo, outra consequência preocupante são os roubos de automóveis e motos no estado de São Paulo, que já aumentaram em cerca de 15% em comparação ao mesmo período do ano passado. "Com a ausência de leilões, as empresas que atuam legalmente no ramo de peças usadas não têm onde comprar os veículos inservíveis para desmontar, com isso está faltando peça usada para atender o mercado. Infelizmente, isso está incentivando o mercado paralelo ilegal, os criminosos estão roubando, desmanchando os veículos e vendendo as peças até na internet".

Verissimo Júnior, acrescenta que "a demanda por peças usadas de veículos aumentou muito porque a frota atual é a mais velha em circulação desde 1995. Essa situação se agravou a partir de 2020 devido à pandemia da Covid-19, que enfraqueceu ainda mais o poder de compra da população. O Brasil possui uma frota predominantemente de veículos mais antigos com mais de 10 anos de uso, existe uma grande parcela com 15 a 20 anos, sendo que as concessionárias não possuem mais peças em estoque para atender essa demanda". De acordo com Veríssimo Júnior, o estado de São Paulo possui atualmente cerca de 27 milhões de veículos em circulação.

O presidente do Sindvist, Valter Menegon, alerta sobre as consequências da falta de leilões para a segurança no trânsito. "Tem diversos veículos que estão circulando sem condições porque o policial constata a infração, efetua a multa e libera. Muitas vezes é impedido de fazer a apreensão porque não tem para onde levar o veículo. Isso é muito grave porque se trata de colocar em risco a segurança de toda a população".

Na próxima semana, os representantes das entidades do setor vão se reunir com o Sindicato dos Trabalhadores dos pátios e guinchos do estado de São Paulo para comunicar oficialmente o processo de demissões. Além dos empregos diretos — em torno de 10 mil — o setor gera mais de 25 mil empregos indiretos que poderão sem impactados. No Estado de São Paulo, atualmente estão em operação 9 mil e 800 guinchos e mais de 300 pátios para guarda de veículos.