08 de julho de 2026
OPINIÃO

Ela e meu pai

Por Prof. Gilberto Sidney Vieira |
| Tempo de leitura: 1 min

Ela, baiana, solteira, 32 anos.

Tropas do exército (BA), fiéis a Por-tugal, resistiam ao grito de liberdade dado em 7/9/1822 por D. Pedro I.

Então ele criou o Batalhão de Voluntários para pacificar o conflito. O pai não queria que ela lutasse.

Todavia desde muito jovem ela sabia matar com tiro certeiro uma caça no mato. Cortou os cabelos compridos. A irmã dela deu roupas masculinas do marido.

Alistou-se no Batalhão usando o nome do cunhado. Em março de 1823, já havia meses decorridos, foi desmascarada.

O major Silva e Castro (comandante dela) evitou sua expulsão. Ela era audaz combatente. Em 2/7/1823 as tropas rebeldes se renderam. Em 20/8/1823 D. Pedro I reconheceu o profundo amor dela à pátria.

Foi transferida para a reserva remunerada com proventos do posto de alferes (= subtenente). Recebeu a espada de oficial.

Ainda a condecoração da Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul. Em 21/8/1853, aos 61 anos, ela morreu.

Maria Quitéria, heroína da independência do Brasil.

Em 12/5/1947, meu pai (2º sargento) recebeu uma Medalha de Guerra (Decreto 6795 de 6/3/47). Por ter cooperado num esforço de guerra (= serviço de contrainteligência na Baixada Santista, detendo espiões a serviço de Hitler). Meu pai e ela: heróis da Pátria.