O vereador Pastor Bira (Podemos) não explicou uma declaração dada por ele mesmo de que a compra do material pedagógico Palavra Cantada em Bauru teria envolvido pagamento de 30% do valor do contrato em propina.
O parlamentar prestou depoimento à Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura a aquisição, na manhã desta quarta-feira (6). A declaração numa reunião pública realizada em abril deste ano pela Comissão de Fiscalização e Controle, presidida pela vereadora Estela Almagro (PT).
A frase do vereador foi um complemento a uma pergunta de Chiara Ranieri (União Brasil) ao secretário Nilson Ghirardello sobre "quem levou os 10% [da compra de R$ 5,2 milhões]".
Segundo Bira, um prefeito da região foi quem confidenciou a ele a informação sobre os 30% pagos ilegalmente. O material Palavra Cantada foi adquirido pela Prefeitura de Bauru no ano passado por R$ 5,2 milhões, mas até hoje não foi totalmente implementado.
O parlamentar nunca deu mais detalhes sobre o assunto. E acabou convidado a prestar esclarecimentos à CEI a partir de um requerimento da vereadora Chiara. Compareceu, mas desconversou.
"Eu falei que um amigo prefeito, numa conversa informal, num contexto informal, disse a mim que cidades do porte de Bauru têm 30% [em negociação de propina]. E não que isso aconteceu em Bauru. E falo isso olhando nos seus olhos", afirmou Bira à vereadora Chiara.
"Eu não tenho autorização e nem procuração para reproduzir falas que foram ditas num contexto informal", prosseguiu.
A parlamentar reagiu imediatamente. "O senhor disse tudo isso numa reunião da Comissão de Fiscalização e Controle. Não foi nada informal", alfinetou. Bira, no entanto, foi irredutível e não apresentou nenhum nome.
Chiara Ranieri pediu em seguida um convite para que o vereador Coronel Meira (União Brasil), para quem Bira teria revelado a identidade do colega prefeito, preste esclarecimentos à CEI. O parlamentar deve comparecer ao colegiado, caso acate a solicitação, na reunião da semana que vem.