11 de julho de 2026
POLÍTICA

Bira não explica declaração sobre propina no caso Palavra Cantada

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Guilherme Matos
O vereador Pastor Bira (Podemos) afirmou 'não ter autorização para reproduzir falas ditas num contexto informal'

O vereador Pastor Bira (Podemos) não explicou uma declaração dada por ele mesmo de que a compra do material pedagógico Palavra Cantada em Bauru teria envolvido pagamento de 30% do valor do contrato em propina.

O parlamentar prestou depoimento à Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura a aquisição, na manhã desta quarta-feira (6). A declaração numa reunião pública realizada em abril deste ano pela Comissão de Fiscalização e Controle, presidida pela vereadora Estela Almagro (PT).

A frase do vereador foi um complemento a uma pergunta de Chiara Ranieri (União Brasil) ao secretário Nilson Ghirardello sobre "quem levou os 10% [da compra de R$ 5,2 milhões]".

Segundo Bira, um prefeito da região foi quem confidenciou a ele a informação sobre os 30% pagos ilegalmente. O material Palavra Cantada foi adquirido pela Prefeitura de Bauru no ano passado por R$ 5,2 milhões, mas até hoje não foi totalmente implementado.

O parlamentar nunca deu mais detalhes sobre o assunto. E acabou convidado a prestar esclarecimentos à CEI a partir de um requerimento da vereadora Chiara. Compareceu, mas desconversou.

"Eu falei que um amigo prefeito, numa conversa informal, num contexto informal, disse a mim que cidades do porte de Bauru têm 30% [em negociação de propina]. E não que isso aconteceu em Bauru. E falo isso olhando nos seus olhos", afirmou Bira à vereadora Chiara.

"Eu não tenho autorização e nem procuração para reproduzir falas que foram ditas num contexto informal", prosseguiu.

A parlamentar reagiu imediatamente. "O senhor disse tudo isso numa reunião da Comissão de Fiscalização e Controle. Não foi nada informal", alfinetou. Bira, no entanto, foi irredutível e não apresentou nenhum nome.

Chiara Ranieri pediu em seguida um convite para que o vereador Coronel Meira (União Brasil), para quem Bira teria revelado a identidade do colega prefeito, preste esclarecimentos à CEI. O parlamentar deve comparecer ao colegiado, caso acate a solicitação, na reunião da semana que vem.