A Polícia Civil, por meio do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 4 (Deinter), iniciou uma série de seminários, começando pela rede de ensino estadual de Bauru, para instruir agentes formadores e professores sobre como eles devem agir em uma situação de atentado nas escolas. O Deinter trabalha com um estudo recente do Departamento Federal de Investigação dos EUA, o FBI, que aponta que assassinatos em locais públicos são organizados em até três meses e que a ação no local tem um tempo estimado de 3 a 14 minutos.
Quem aplica o seminário em Bauru é o delegado Eduardo Herrera, titular da Delegacia de Infância e Juventude de Bauru e professor da Academia de Polícia Civil do Estado de São Paulo. Ele cita que a palestra ensina o que se deve esperar da ameaça, como agir com prevenção e de que forma lidar com o agressor dentro do ambiente escolar, armado com instrumento letal. "Lidar com crises envolvendo agressor ativo se mostrou fundamental. Não é mais uma realidade distante, infelizmente, devido aos casos ocorridos que demonstram isto", destaca.
É ensinado pela polícia as técnicas de reconhecimento, do próprio espaço ao redor e do agressor, de como manter a calma, proteção individual e coletiva, a fuga e até mesmo a luta pela própria vida.
São três as possibilidades de perfis dos agressores, traçados pelo FBI como traumáticos, psicóticos e psicopatas.
Conforme o JC noticiou, a Polícia Civil de Bauru identificou, no dia 31 de março, o adolescente de 13 anos responsável por publicar em uma rede social uma ameaça de atentado à Escola Estadual Antônio Ferreira de Menezes, no Jardim Petrópolis, que gerou medo entre os pais. Isso foi o resultado de um "boom" causado diante dos ataques a uma escola estadual na Capital paulista, em 27 de fevereiro, e a uma creche em Blumenau (SC), no dia 5 de abril.
Segundo Márcio José Alves, delegado dirigente da Unidade de Ensino e Pesquisa do Deinter 4, foi justamente isso que motivou a polícia a criar este projeto. Ele afirma que foi criado um mecanismo de estudo específico para os policiais e delegados repassarem treinamento aos profissionais da educação, em princípio, os que operam na rede estadual. Está no planejamento, de acordo com ele, realizar também junto à Secretaria Municipal de Educação e escolas particulares.
"Começamos por Bauru, aplicando em 260 profissionais de ensino e vamos ampliar para todas as cidades que compreendem o Deinter-4, nas regiões de Marília, que será a próxima cidade, Jaú e Lins", complementa Márcio José Alves. Ainda sobre Bauru, ele acrescenta que está à disposição da agenda da prefeitura e dos mantenedores particulares.