O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac) aprovou a preservação da primeira ruína de Bauru, a "Casa dos Pioneiros", um dos poucos imóveis originais que restaram em pé na antiga "Baixada do Silvino", no Centro. A região é conhecida como o berço do município. A casa fica situada na rua Araújo Leite, n.º 2-63, próxima da avenida Nuno de Assis. Ela está bastante danificada, mas foi desapropriada pela prefeitura, que fará algumas reformas estruturais, por meio de licitações, mantendo a fachada original em ruína.
Todo este processo teve início com duas arquitetas da Secretaria de Planejamento, que fizeram o projeto, e um escritório particular de arquitetura fará o desenvolvimento de forma voluntária. A previsão é de que ficará totalmente pronto no prazo de dois anos, comenta o presidente do conselho, o arquiteto Edmilson Queiroz Dias.
Ele recorda que este imóvel já havia sido tombado em 2005, mas que agora será feito um outro procedimento de preservação, o de ruína, que é muito comum nos continentes europeu e asiático. Ao longo das últimas décadas, esta casa não tinha matrículas em cartórios de escrituração. Recentemente, a prefeitura obteve o seu documento de registro. "Praticamente, todos os imóveis da baixada do Silvino foram demolidos ou reformados, perdendo sua originalidade. Este, não. Apesar de não ser o mais antigo de Bauru, erguido entre o final do século 19 e o início de 20, provavelmente, é um dos poucos que restaram", comenta o presidente do conselho.
A literatura explica que o conceito de ruína são os restos da arquitetura de uma civilização. O termo refere-se a estruturas anteriormente intactas que caíram em estado de degradação parcial ou total ao longo do tempo, devido a uma variedade de fatores, como falta de manutenção, depredação ou destruição incontrolável por fenômenos naturais.
Na preservação como ruína, o prédio nunca poderá ser demolido para manter essa pequena história da cidade. E, após as reformas ficarem prontas, dentro de 24 meses, o Poder Executivo poderá dar um destino cultural ou administrativo, por exemplo, ao prédio.
A região da Baixada do Silvino é o trecho de origem de parte da cidade. Uma localidade de grande valor histórico, que foi por muito tempo a única entrada e saída de Bauru (por meio da rua Floresta). Segundo historiadores, os primeiros tropeiros chegaram por este caminho.
Como não podia deixar de ser, o lugar foi se tornando um dos principais corredores comerciais do município. Uma verdadeira efervescência comercial despontou ali e assim permaneceu por muitas décadas. Havia de tudo um pouco: supermercados, posto de combustíveis, farmácias, muitos bares, lojas diversas e até uma fábrica de refrigerantes. Mas, com o tempo, o comércio foi declinando e expandindo em outras regiões.
Silvino Ferreira foi um comerciante português muito conhecido, que se instalou no local na década de 1930.