08 de julho de 2026
BEM ESTAR & CIA

Bebidas energéticas: risco para crianças e adolescentes


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Profissionais da nutrição de vários países defendem uma regulamentação para essas bebidas por conta dos problemas que elas podem trazer pelo excesso de consumo

As bebidas energéticas prometem mantê-lo acordado e dar mais fôlego para praticar exercícios, melhorando o rendimento físico e a resistência. Mas é importante beber com moderação. O abuso pode trazer problemas de saúde, principalmente entre adolescentes e adultos jovens, os grupos que mais consomem esse tipo de produto.

Um estudo realizado pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) em 2013 já alertava para o problema: 16% das crianças (3 a 10 anos) bebiam energéticos de forma regular, ou seja, entre quatro e cinco vezes por semana (ou mais), o que equivale a dois litros por mês. Na Espanha, a pesquisa Estudes mostrou recentemente que 45% da população de 14 a 18 anos ingeriram esse tipo de bebida no último mês, de acordo com reportagem pelo jornal "El País". Como em outros países, o consumo é mais frequente entre os meninos (51%) do que entre as meninas (39%).

Esses dados confirmam a existência de um problema de saúde pública. Bebidas energéticas têm alto teor de cafeína e açúcar (seus dois ingredientes principais) e outros estimulantes. Elas têm praticamente zero valor nutricional.

Uma lata de 250 mililitros da marca líder do setor contém 80mg de cafeína. A EFSA diz que a quantidade máxima de cafeína considerada segura para ingestão diária não deve exceder 3mg por quilo de peso de uma pessoa - para quem tem 60kg, por exemplo, o limite seria de 180mg, ou seja, pouco mais de duas latinhas desta marca de energético.

Em relação à quantidade de açúcares, as bebidas energéticas costumam fornecer entre 27,5 e 60 gramas por 250ml e 500 ml, respectivamente. A quantidade é equivalente a 11 a 12 colheres de chá de açúcar (de 220 a 240 calorias) para cada lata de 500ml. Mas a maioria das marcas já oferece opções light ou zero para reduzir essas quantidades de açúcar e substituí-las por adoçantes.

Apesar das promessas energizantes, o restante dos componentes dessas bebidas também não provou ter nenhum benefício. No entanto, o que a maioria dos estudos conclui é que o consumo, especialmente em grandes quantidades ou misturadas com álcool, tem efeitos negativos na saúde física e problemas, elevando os riscos de males cardiovasculares, neurológicos e psicológicos.

Devemos lembrar que é comum combinar o consumo dessas bebidas com o álcool. E que, ao mascarar os efeitos depressivos do álcool, como sonolência e cansaço, aumenta o risco de intoxicação alcoólica.

Na Espanha, assim como o Brasil, o consumo dessas bebidas é totalmente comum, não existindo uma regulamentação específica sobre os ingredientes que podem conter, as suas concentrações máximas ou em que combinações.

Por sua vez, estima-se que 70% das pessoas desconhecem a composição das bebidas energéticas ou quais são seus possíveis efeitos colaterais. Por isso, cada vez mais profissionais da nutrição defendem uma regulamentação dessas bebidas. Eles também exigem maior controle da publicidade voltada para crianças e adolescentes, ou a proibição de sua venda para menores de 16 anos.

A intervenção já está ocorrendo em alguns países. Na Espanha, o Ministério do Consumo anunciou um conjunto de medidas em 2021. No final, acabaram sendo 10 recomendações consensuais desenvolvidas em conjunto com a própria indústria de bebidas energéticas.

Elas alertam, por exemplo, para os riscos para a saúde destas bebidas, desaconselha o seu consumo por adolescentes, adverte os atletas que não são úteis para a reidratação e recorda aos fabricantes a obrigatoriedade de incluir no rótulo a indicação do seu elevado teor de cafeína e, por isso, não são recomendadas para crianças ou para mulheres grávidas ou lactantes.