Com o avanço exponencial da inteligência artificial (IA) em diversas áreas, um ramo que está se preparando para mudanças significativas é a advocacia. Para Patrícia Vanzolini, atual presidente da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SP), os advogados terão de se qualificar na prestação de serviços mais sofisticados e exclusivos para sobreviverem no mercado de trabalho. Hoje é comemorado o Dia do Advogado.
Em entrevista ao JC durante sua última visita à Bauru, para a Conferência Regional da Advocacia 2023 (CRADV23), em 14 de julho, a presidente da OAB/SP analisou possíveis cenários futuros para a profissão.
"Não há como barrar o uso da inteligência artificial. Seria o mesmo que barrar a máquina de escrever para continuarmos escrevendo à mão, ou barrar a Internet para continuarmos pesquisando em revistas físicas. Determinadas funções, de fato, foram e ainda serão extintas. Mas outras funções nasceram e a advocacia tem que se qualificar para prestar um serviço que não poderá ser substituído pela máquina. É o que vai acontecer agora", explica.
Ela exemplifica, ainda, que serviços repetitivos, meramente de pesquisa e busca, deverão ser substituídos pela IA. "Assim, eles serão feitos com mais eficiência e rapidez. Então, os advogados terão que prestar um serviço mais sofisticado, mais exclusivo, para sobreviverem no mercado de trabalho. E a OAB precisa qualificar a advocacia para isso. Para sair do lugar comum, da tarefa repetitiva, e prestar um serviço mais qualificado", complementa.
A presidente também se posiciona contra o aumento das taxas judiciárias, que atualmente estão sob análise do Poder Judiciário. "Entendemos que isso vai encarecer o cidadão quando precisar acessar o Judiciário, como quando uma pessoa precisa acionar a Justiça para que o plano de saúde cubra um tratamento de saúde, que o plano esteja se recusando. Hoje, a Justiça já não é barata. E, com o aumento, as pessoas terão que pagar o dobro de custas. Nós entendemos que o Judiciário pode conseguir dar conta das suas necessidades financeiras de outra forma, sem colocar contramão do cidadão", conclui Vanzolini.