Após análise das evidências disponíveis, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, braço da Organização Mundial da Saúde (OMS), decidiu incluir oficialmente o aspartame no grupo 2B, referente às substâncias consideradas "possivelmente cancerígenas".
O adoçante artificial é um dos mais utilizados para substituir o açúcar em casa e em produtos "zero", como refrigerantes e sucos. A decisão foi antecipada pela agência Reuters no mês passado. Agora, com a divulgação oficial da OMS, o adoçante será incluído numa lista de possíveis carcinogênicos que inclui ainda o chumbo e as substâncias químicas encontradas em salões de cabeleireiro.
Ainda assim, na avaliação de risco, que estabelece o real perigo para o consumidor, o Comitê Conjunto de Especialistas em Aditivos Alimentares da OMS e da Organização para Agricultura e Alimentação decidiu que os estudos atuais não são suficientes para alterar o limite de consumo diário de aspartame tido como seguro, de 40 mg por kg de peso corporal.
As duas análises, embora feitas em colaboração no caso do aspartame, são independentes. A do IARC apenas identifica as propriedades de um agente e analisa se ele tem potencial de causar câncer, independentemente da dose, explicou a diretora interina do programa de Monografias da IARC, responsável pelas classificações, Mary Schubauer-Berigan.
"Isso foi observado especificamente para o carcinoma hepatocelular, que é um tipo de câncer de fígado. A evidência, limitada, vem de três estudos compreendendo quatro grandes observações de grupos conduzidos nos Estados Unidos e em dez países europeus", disse a especialista em coletiva de imprensa.
Os três foram trabalhos, que observaram a incidência do tumor em uma determinada população durante um tempo, comparando-a com o uso do aspartame por meio de bebidas adocicadas. Os resultados indicaram uma possível relação. Em relação aos mecanismos que podem estar por trás do potencial cancerígeno observado, Federica Madia, toxicologista sênior da IARC, disse que estudos com animais e experimentos em laboratórios sugerem um possível aumento dos níveis de insulina, um estado de inflamação crônica e de estresse oxidativo pelo uso do adoçante.
"Ainda assim, alguns dos estudos têm limitações. E certamente os examinaremos com mais detalhes no futuro, esperando que as pesquisas cheguem até elas (as limitações)", afirmou.
Após essas análises, o aspartame foi incluído no grupo 2B da classificação da IARC, o mais baixo de três que indicam relação com câncer. Nele, há mais de 300 itens, como o extrato de folha inteira de Aloe vera, clorofórmio, gasolina e a exposição ocupacional de trabalhadores de lavagem a seco e de processos de impressão.
Acima dele, no grupo 2A, estão as substâncias "provavelmente cancerígenas", ou seja, que contam com mais evidências sobre a chance de gerarem tumores. Nele, estão a carne vermelha e bebidas acima de 65 °C, além de cerca de mais 90 itens. Já no grupo 1, dos que são comprovadamente "cancerígenos", estão itens como álcool e cigarros e outros 120 agentes.
Francesco Branca, diretor do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMSComitê, ressalta, sobre a nova revisão, que não há orientação para a substituição do aspartame por outros adoçantes artificiais.
Logo, o ideal é optar pelos de origem natural, como o xilitol, o eritritol e a stevia, no lugar de alternativas como aspartame, sacarina, sucralose, ciclamato de sódio e acessulfame de potássio.