Assessor de gabinete da prefeita Suéllen Rosim (PSD), o advogado Daniel Fernandes de Freitas, de Jaú, é também membro do Conselho Fiscal da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) e do Comissão de Análise de Parecer de Defesa da Autuação da Empresa de Desenvolvimento Urbano Bauru (Emdurb).
A denúncia é da vereadora Estela Almagro (PT), presidente da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara de Bauru, e vem na esteira dos apontamentos da ex-secretária de Educação Maria do Carmo Kobayashi de que o advogado interferia diretamente nas ações da pasta.
Os dois cargos de Daniel na administração indireta são remunerados. No conselho da Cohab, destaca a petista, o advogado recebe R$ 1.868,14 brutos. Na Emdurb, enquanto isso, o valor é de um salário mínimo e meio. Já os vencimentos do advogado como assessor de gabinete somam R$ 7.929,07.
“A participação do servidor comissionado nos Conselhos e Comissões corrobora com as inúmeras denúncias recebidas pela Comissão de Fiscalização e Controle de que Daniel age de forma a impor suas decisões sob a tutela da prefeita, coagindo os demais membros a observar a decisão já delegada pelo Palácio das Cerejeiras”, afirmou Estela em nota à imprensa neste sábado (29).
O advogado, alçado ao status de “primeiro ministro” do governo, nas palavras de Estela, é um dos “homens fortes” da gestão Suéllen e está ao lado da prefeita desde o primeiro ano de governo. É também uma das pessoas de confiança do círculo íntimo do pai da mandatária, o pastor Dozimar Rosim.
Ex-assessor de Kobayashi, o professor Clóvis Cavenaghi também informou a interferência de Daniel nas ações da Educação. Em depoimento à Câmara durante reunião na quarta-feira (26) passada, no âmbito da investigação do caso Palavra Cantada, Cavenaghi disse que a ingerência do advogado chegava a ser “abusiva”.
O JCNET acionou a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru sobre o fato e aguarda resposta.