Um corredor importante, a avenida Daniel Pacífico, que liga também duas regiões importantes de Bauru (Bela Vista e Falcão). Mas que tem tido esforços insuficientes do poder público para seu grave problema social e estrutural que ali está. Isso desde os tempos que tínhamos que fazer a ligação desses dois lados através de frágeis pinguelas de madeira (não precisaria ser dito, que não havia na época o flagelo das drogas), onde cruzávamos sobre o Rio Bauru e que na temporada das águas estas nos deixavam a ver navios, literalmente. As frágeis e improvisadas pontes desapareciam rio a baixo, com a força das águas.
E assim seguiu e segue a triste sina dessa avenida. De sobrenome "Pacífico", dir-se-ia, até demais. Porque assistiu também morrer caladas (assim como o rio, que luta, mas que agoniza) as ferrovias que cruzavam a via (que seria um capítulo à parte). Mantenhamos então, por ora, o foco no problema da avenida Daniel Pacífico. E da segurança pública que até aqu, parece-nos sem solução alguma.
Basta cruzá-la a pé ou sobre rodas para nos depararmos com fogueiras acesas e parte das luzes apagadas na avenida. Tudo sob os olhares dos "nóias" (apelido dado aos usuários das drogas) que ali vivem e convivem, fazendo o papel de "soldados" do tráfego. Seja no chão fazendo "os corres" ou sobre o viaduto da também falecida Fepasa. E que serve hoje como uma "torre estratégica" de observação do "movimento". E de repente me vejo como quem "chove no molhado", "que fala mais do mesmo", "malhando em ferro frio", redundantemente. Escrevendo, apagando, corrigindo, repensando e, não raras vezes, deletando tudo, de uma vez por todas.
Pois é claro que não apenas eu vejo, sinto e sei dessa situação e muitas outras por que se passam nossa cidade.
Bauru fará mais um aniversário daqui a poucos dias - serão 127 anos. E claro fica que não veremos, pelo andar da carruagem, nada de relevante "no presente" ou dentro de um tempo razoável. Para solucionar os problemas que se arrastam há muito tempo (e que apenas pioram).
Aniversário esse que me faz pensar se no tempos das "pinguelas" sobre o rio (que nos deixavam a ver navios no tempo das chuvas) não éramos de fato mais felizes. Mais seguros, sem as drogas e sem os filhos destas, os "nóias", sem o pouco caso das autoridades. Não, não éramos não mais felizes, isso é coisa de gente saudosista apenas e que ainda sonha com o apito do trem, saindo e chegando na estação.
"...e o trem parou na estação, você brincou com meu coração, estamos vivendo em Bauruzão..." (Carlinhos Bauruzão)