"Última pergunta, última pergunta", diz Robert Downey Jr. ao cruzar a porta. O ator brinca com a agenda do dia - um sábado quente em que passeia pelas salas frias do hotel em que está hospedado para conversar com a imprensa, sempre cronometrado pela frase. Mas ele faz disso sua entrada triunfal, alinhada ao terno e camiseta verde oliva que, refletindo a luz das janelas, parece amarelo berrante. Com a aparência solar, nem parece que Downey Jr. está ali para discutir "Oppenheimer" (em cartaz nos cinemas de Bauru), filme sobre a criação da bomba atômica em que aparece em preto e branco boa parte do tempo.
Mas o semblante leve diz muito sobre o momento de sua carreira. É seu primeiro papel desde 2020, e apenas o terceiro em uma década a não carregar o nome de Tony Stark, o Homem de Ferro, da Marvel. "Para mim, é como se fosse um recomeço com um arco-íris", afirma. "Minha esposa diz isso aos nossos filhos quando eles têm uma manhã difícil: Vamos recomeçar com um arco-íris! Para mim, é o símbolo deste novo capítulo, de como começar do zero de novo."
Ele faz piadas, levanta a moral do elenco, elogia o diretor Christopher Nolan e discute a sério seu personagem, o político Lewis Strauss. A alegria reflete o orgulho de Downey Jr., que vê "Oppenheimer" como o melhor filme de sua carreira.
É impressionante, considerado que a última vez que o público viu seu nome nos créditos foi em "Dolittle", pouco antes da pandemia. O filme marcava sua saída do universo dos super-heróis, na ressaca do sucesso de "Vingadores: Ultimato". O ator aprendeu algo, porque agora enfileira sequência respeitável de projetos. Depois de "Oppenheimer", Downey Jr. vai aparecer em "The Sympathizer", e também está escalado para "Average Height, Average Build". Em ambos, será coadjuvante.
O horizonte desenha um futuro de céu azul. Além de "The Sympathizer", previsto para o ano que vem, a Team Downey trabalha no remake de "Um Corpo que Cai", de Alfred Hitchcock. O noticiário de Hollywood aponta que, como na minissérie, Downey Jr. considera fazer o papel principal enquanto atua como produtor. O ator parece neste momento mais confortável em assumir o lugar de coadjuvante. "Oppenheimer" é um recomeço simbólico para o homem que liderou um universo de super-heróis na última década.