16 de março de 2026
NO 1.º SEMESTRE

Aluguel residencial em Bauru sobe o triplo da inflação

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Samantha Ciuffa/JC Imagens
Bruno Pegorin Neto, da regional do SecoviSP em Bauru

O fim da emergência sanitária da Covid-19 e a alta da taxa básica de juros foram dois dos principais fatores que contribuíram para a disparada do preço médio de locação de imóveis residenciais na cidade. De acordo com o Índice FipeZap , da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a alta acumulada no País, no primeiro semestre de 2023, foi de 9,24%, patamar acompanhado pelo município, segundo informa a Diretoria Regional do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) em Bauru.

O número corresponde a mais que o triplo da inflação oficial do período, de 2,87%, e também supera o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), utilizado para o reajuste de contratos de aluguel, que ficou negativo, em -4,46%. Os dados do estudo elaborado pela Fipe incluem os preços de locação de imóveis residenciais em 25 cidades brasileiras com base em anúncios na Internet.

Lideraram a alta nestes primeiros seis meses do ano as unidades com um dormitório, que tiveram aluguel aumentado em 10,38%, o dobro do registrado por moradias maiores, de quatro quartos ou mais. Segundo Bruno Pegorin Neto, diretor de Habitação Econômica da Regional Secovi-SP em Bauru, este acréscimo está vinculado ao fim da pandemia de Covid-19 e a consequente retomada da normalidade da rotina das pessoas.

"A alta foi maior principalmente para apartamentos pequenos. Isso sinaliza que, durante a crise sanitária, com o confinamento e o trabalho em home office, as pessoas buscaram espaços maiores. Agora, com a situação controlada, há uma maior procura por lugares mais compactos e, diante da demanda, os preços dos alugueis tendem a subir", analisa, acrescentando que as regiões com maior aceleração de preços são a zona sul, no entorno da avenida Getúlio Vargas e Vila Universitária, além do Jardim Panorama, Jardim Brasil e Jardim Marambá.

Além do fim da pandemia, a taxa básica de juros, a Selic, elevada, mantida em 13,75% ao ano pelo Banco Central, também contribui para inibir financiamentos imobiliários e, por consequência, manter um número superior de famílias vivendo em habitações alugadas. "É um fator que tem adiado a decisão de compra de imóveis, devido às parcelas mais caras", frisa.

Foi o que ocorreu com uma auxiliar de serviços gerais de 51 anos, que preferiu não se identificar. Como não teve condições de financiar a casa própria, ela está em busca de um outra residência para alugar, já que o imóvel em que vive com a família está em condições precárias de manutenção. "Está cheio de goteiras, infiltrações e o proprietário não aceitou fazer reforma. Pago R$ 1.470,00 por mês e, até agora, só conseguimos encontrar casa boa por R$ 1,8 mil, R$ 2 mil. Tudo muito caro", lamenta.