08 de julho de 2026
OPINIÃO

Caçada de curimbas

Por Fernando Lucilha Júnior |
| Tempo de leitura: 2 min

Se você levantou cedo hoje, muito bom dia! Se levantou tarde, já perdeu uma chance de pescar pela manhã! E, para variar, vamos falar de pesca. Existe coisa melhor? Caros amigos, por mais incrível que possa parecer, o fato que vou narrar a seguir me foi contado pelo querido "mestre da tesoura", o Zé Carlos , lá do Dinho`s , da rua Joaquim da Silva Martha, quadra 4. Ele me jurou que foi verdade. Década de 60, no rio Jacaré-Pepira, em Itajú, na Lagoa do Barreiro. Com saudade, nosso amigo Zé conta, emocionado, os bons tempos em que acompanhou seu pai, José Facchim, matuto e pescador dos bons, lá por aquelas bandas. "Seu Zé Facchim" era respeitado por todo mundo que curtia a pesca e a caça. Mateiro experiente, não abria mão de sua "cartucheira 28", que era o terror das incautas capivaras! Na época da cheia, o rio transbordava e suas águas invadiam o campo de suas margens sem pedir licença, formando lagoas transparentes, encobrindo o capim e dando um toque pantaneiro na região.

Era nessa época que o velho "Zé Facchim" deitava e rolava na caça. Certo dia, com seu velho barco, remando quase que silenciosamente, deslizava ele suavemente sobre as águas rasas da lagoa, à procura de capivaras. De pé, com o equilíbrio próprio de quem conhece o assunto, percebeu num rápido olhar enormes curimbas que nadavam sob seu barco, no fundo claro e esverdeado do lago. À distância, observando, estavam noutro barco o sr. Sebastião Salvador e o nosso Zé Carlos, bem mais novo e menos grisalho do que hoje. Sebastião Salvador era outro "mateiro" experiente, que formava dupla com "Seu Zé". Para espanto deles, a famosa "cartucheira 28" já estava na mão do velho caçador, apontada para a água! Foram vários tiros certeiros. Em seguida, a lagoa estava cheia de curimbas, boiando inertes, com um furo em cada um! Foi uma verdadeira "caçada" de curimbas! E o furo nos peixes ainda facilitou o embarque. - "Recolhe aí pra nóis", gritou o "caçador de peixes"! Obediente ao velho pai, Zé Carlos, com a vara de bambu - naquele momento sem nenhuma outra utilidade -, recolhia os enorme curimbas, enfiando a mesma no "furo" deixado pela "28". Formou uma "fieira" de 18 peixes, cujo peso ameaçava a estabilidade do barco! Gente, confesso que até eu fiquei emocionado com a narrativa do Zé Carlos. Parecia até que eu estava lá, ouvindo os tiros e vendo aqueles peixes enormes, cada um com um furo "redondinho" no corpo, boiando na lagoa. Dizem que lá em Itajú o pessoal chegado à pesca até hoje comenta o fato. Criaram até um novo provérbio para substituir o tradicional "Quem não tem cão, caça com gato". Ficou assim:- "Quem não tem capivara, caça curimba!". Abraço ao querido Zé Carlos e a todos os "caçadores de peixes" do Brasil!