16 de março de 2026
MAIS COMÉRCIO

Diversificado, varejo de Bauru cresce mesmo com a pressão dos juros altos

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Getty Images/iStockphoto
Conforme a pesquisa IPC Maps, neste ano Bauru contabiliza 11.785 empresas varejistas. Em 2022, o número era de 11.641 (fotos dos entrevistados estão no final)

Os juros altos e a expansão do comércio eletrônico têm provocado impactos no varejo de Bauru, mas não de forma tão contundente a ponto de levar a uma onda de fechamento de lojas. Conforme a pesquisa IPC Maps, elaborada pela empresa especializada em informações de mercado IPC Marketing, neste ano, o município contabiliza 11.785 empresas varejistas, sendo que, em 2022, o número era de 11.641. Significa que, de lá para cá, a cidade ganhou mais 144 estabelecimentos do setor.

A sobrevivência destes negócios se dá em um momento em que a taxa básica de juros, a Selic, se mantém em patamar elevado, de 13,75% ao ano, o que tem gerado, por consequência, alta de preços das mercadorias, especialmente as vendidas a prazo. Este motivo, inclusive, foi um dos que levaram ao fechamento de 91 unidades deficitárias da Marisa, incluindo a do Centro de Bauru.

Porém, segundo Walace Sampaio, presidente do Sindicato do Comércio de Bauru e Região (Sincomércio), o encerramento das atividades desta loja foi motivado pela mudança do perfil de mercadorias da empresa, que ainda mantém funcionamento nos dois shoppings da cidade. "Porém, os juros altos estão, sim, impactando o varejo, especialmente as grandes redes, por alguns fatores, como o rombo bilionário da Americanas (descoberto no início do ano). Isso fez com que os bancos ficassem mais criteriosos e o crédito para capital de giro, mais caro", frisa.

Sampaio explica, ainda, que os juros altos provocam aumento de custos em toda a cadeia produtiva, além de encarecer o crédito ao consumidor, ou seja, o preço final das mercadorias comercializadas a prazo. "É preciso considerar, também, que a renda das pessoas não tem acompanhado a inflação. Portanto, a tendência é de redução do consumo, o que leva o varejo a viver um período de baixo crescimento", pontua.

PULVERIZADO
Ele aponta, contudo, que, das mais de 11,7 mil empresas do comércio varejista, cerca de 6 mil são Microempreendedores Individuais (MEIs) e 4,7 mil, microempresas. Ou seja, trata-se de um setor bastante pulverizado de pequenos negócios na cidade. "Eles continuam funcionando, mas com margem de lucro comprimida, inclusive, por conta do crescimento do comércio eletrônico", acrescenta.

Consultor jurídico da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Elion Pontechelle Junior aponta que empresas que não possuem e-commerce e sequer mantêm páginas em redes como Facebook, TikTok e Instagram para fazer negócios podem perder espaço no mercado, já que o consumidor contemporâneo está cada vez mais conectado ao universo digital. Além disso, são prejudicadas por sites internacionais que vendem produtos no País sem o devido recolhimento de tributos.

"É algo que precisa ser corrigido, por se tratar de uma concorrência predatória", analisa. Para Pontechelle Junior, contudo, o principal prejuízo diante da alta taxa de juros é de grandes redes que comercializam bens de maior valor, adquiridos pelo consumidor, em sua maioria, por meio de muitas prestações.

"Não é o caso da maioria dos pequenos estabelecimentos da cidade, que continuam registrando recordes de vendas em datas comemorativas como Natal, Dia das Mães e Dia dos Namorados", acrescenta. O resultado, de acordo com o consultor jurídico, também é impulsionado por medidas governamentais, como o aumento do valor do Bolsa Família, que contribuem para a injeção de recursos no comércio.

VESTUÁRIO, ALIMENTAÇÃO E BELEZA LIDERAM
De acordo com o Sebrae-SP de Bauru, o número de empresas do comércio varejista segue crescendo em Bauru, tendo como principais carros-chefe estabelecimentos que vendem peças de vestuário, alimentos ou produtos de beleza. "E observamos um aumento bastante expressivo dos MEIs", pontua a consultora de negócios da instituição, Patricia Zuccari.

Para impulsionar os pequenos negócios, o Sebrae, em parceria com o Sincomércio, CDL, Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) e Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Bauru (Sinhores), está promovendo um programa para auxiliar estas empresas a implementarem seus comércios digitais em plataformas como Facebook, TikTok, Instagram e WhatsApp. O projeto continua com inscrições abertas.