"Aproveitei o céu limpo para registrar alguns dos corpos mais lindos que podemos observar pelo telescópio. Um deles foi a nossa Lua", conta Guilherme Bellini, um dos monitores-educadores do Observatório Didático de Astronomia "Lionel José Andriatto" da Unesp de Bauru e responsável pelo famoso canal do Instagram "for.astronomy". Ele conseguiu captar em fotos as cores reais do satélite natural.
Diferentemente do que as pessoas percebem ao observá-la a olho nu, a paisagem lunar não é totalmente desprovida de cores. Mesmo vista de longe, alguns tons azulados, alaranjados e avermelhados podem ser captados através de câmeras fotográficas.
O registro em questão foi feito por ele com um telescópio de 200 mm de abertura (fabricante COSMOS) e uma câmera especial para fins astronômicos SV305PRO. Para tanto, ele obteve cerca de 30 Gb de dados, com mais de 60 painéis de cada parte da Lua, somando, ao todo, aproximadamente, 25 mil frames (fotos). As cores na foto são reais e não sofreram alterações artificiais, reitera.
Ao olhar a Lua da Terra, tudo o que possível ver é um astro muito brilhante e acinzentado. No entanto, na foto é possível perceber que o satélite apresenta algumas cores bem características, que nem mesmo a visão mais aguçada é capaz de revelar.
Os tons observados na superfície da Lua revelam as diferentes composições químicas do regolito. Os azuis correspondem às áreas ricas em óxido de titânio enquanto as regiões alaranjadas ou púrpuras indicam rochas relativamente pobres em titânio e ferro.
Essa possibilidade de registrar as cores da superfície da Lua permitiu aos cientistas calibrarem as imagens a partir das amostras coletadas pelas missões Apolo, tornando possível analisar a composição química do satélite através do uso de fotografias terrestres.