Em um mundo conectado, em que as tecnologias se transformam de forma cada vez mais profunda e veloz, entender o futuro para poder influir sobre ele se tornou tão imperativo como compreender o passado. É o que analisa a futurista Rosa Alegria, diretora do núcleo brasileiro do Projeto Millennium, rede de acadêmicos, executivos e cientistas que pesquisam sobre o que está por vir.
"Aprender a viver na incerteza é, hoje, um imperativo. É preciso educar para as descontinuidades e instrumentalizar os jovens a olhar adiante, no horizonte que irão percorrer, e prepará-los, desde já, a fazer seus projetos de vida", descreve.
Na última terça-feira (20), a especialista, que atua como futurista profissional há 20 anos, ministrou a palestra "Construindo a Educação do Futuro", no Lions Clube de Lençóis Paulista, a educadores durante a 1.ª Conferência realizada pelo Instituto LideraJovem. A organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, tem como mantenedores as empresas Lwart Soluções Ambientais e Bracell.
Em entrevista ao Jornal da Cidade, Rosa explica que o futurismo visa permitir que pessoas e organizações possam compreender as mudanças ao longo do tempo, cada vez mais rápidas, se anteciparem a elas e encontrarem caminhos rumo à inovação. É uma disciplina que integra diferentes fontes de conhecimento, como a sociologia, estatística, história e pensamento sistêmico, entre outras.
MUDANÇAS
Na educação, segundo a futurista, o objetivo é adotar conteúdos e didáticas a fim de inserir os estudantes no compasso destas mudanças, para que não sejam atropelados - ou colonizados - por elas durante a vida. "Ainda seguimos preparando alunos para profissões que não mais existirão, com tecnologias que estarão obsoletas, para resolver problemas que eles ainda não sabem quais são. Se as escolas e os professores não souberem olhar para o futuro, poderão atrofiar a capacidade criativa dos jovens", explica.
Ela relata que o movimento da qual ela faz parte, o Teach the Future, tem ensinado futurismo a crianças e adolescentes como matéria especial dentro de algumas escolas, além de treinar professores a adotarem metodologias e práticas em cada disciplina. Apesar de reconhecer que o Brasil está atrasado na discussão sobre o assunto, na comparação com outros países, inclusive da América Latina, como Uruguai, Colômbia, Peru e Chile, Rosa destaca algumas experiências nacionais que já estão sendo bem-sucedidas.
"Algumas escolas já estão adotando ferramentas em seus programas curriculares, no ensino fundamental 1 e 2, e tem feito toda a diferença na criação de um ambiente mais imaginativo nas aulas. A Escola Ensino de Aprender, localizada em São Paulo, Capital, é um bom exemplo: é pioneira no ensino de futurismo para crianças. Criamos um programa único que traz encantamento na sala de aula, desperta a imaginação e conecta as crianças com os mistérios e valores da natureza", completa.