É com um jeito "gente como a gente" de se comunicar que a culinarista e influenciadora digital Liliana Ramos, 41 anos, conquistou milhares de seguidores na Internet. Em suas redes sociais, ela ensina desde receitas mais simples, com ingredientes que estão na geladeira, até pratos mais especiais para o fim de semana.
Nascida em Campo Mourão (PR), ela vive em Bauru há uma década com o marido Silas, engenheiro civil, e as filhas Lívia, 14 anos, e Lara, 11 anos. De forma orgânica, já conta, em seu @cozinhadaliliana, com 101 mil seguidores no Instagram, 71 mil no TikTok e mais 1,1 mil no Facebook.
Tamanha projeção atraiu a atenção de diversas marcas, como a Docepan e a margarina Delícia, para quem já produziu conteúdos. É, ainda, embaixadora da Bonare e da linha prática da Empório Prime, além de ter parceria com o Supermercado Tauste e um prato chamado Camarão Cozinha da Liliana no cardápio do Fried Fish Nações.
Formada em direito, ela descobriu no prazer em cozinhar, mais do que uma fonte de renda, um propósito nobre: incentivar pessoas a voltarem a consumir 'comida de verdade', feita com alimentos naturais em detrimento dos ultraprocessados.
Seu trabalho também tem o propósito de difundir o gosto de cozinhar em casa, em família, sendo que a maioria das suas seguidoras é composta por mulheres de uma geração que desconhece o básico. Com as mães trabalhando fora, elas não aprenderam qualquer receita em casa e são habituadas a comer fora.
Nesta entrevista, Liliana relembra seus primeiros passos na cozinha, quando ainda trabalhava na banda de seus pais, o Grupo Minuano, bem como as inúmeras cidades em que morou até fixar-se em Bauru. Leia, abaixo, os principais trechos.
JC - Quando descobriu que tinha talento para cozinhar?
Liliana - Meus pais são donos do grupo tradicionalista gaúcho Minuano, que, neste meio, figura entre os quatro mais tradicionais do sul do País. Minha mãe era empresária e meu pai, músico, baterista. Trabalhei com eles na parte de venda de shows, pagamento de músicos, durante minha adolescência, antes de ir para a faculdade. Na época, também fazia comida para os músicos, quando chegavam de viagem. Eu tinha 13, 14 anos, e fazia almoço para 20 pessoas. Começou ali o gosto por cozinhar.
JC - E por que decidiu cursar direito?
Liliana - Como sempre gostei de comunicação, acabei indo fazer direito na Unipar, em Umuarama (PR). Em cidade pequena, não tinha muita opção de curso. Fiz estágio na Procuradoria do Estado até me formar, em 2004. Nessa época, a culinária ficou meio adormecida, porque eu precisava trabalhar, correr atrás de ganhar dinheiro. Atuei por um tempo, antes de ter minhas filhas, mas, hoje, não advogo mais.
JC - Logo depois surgiu a oportunidade de transformar a culinária em profissão?
Liliana - Não. Isso só aconteceu depois que vim morar em Bauru. Quando me formei, já namorava com meu marido há oito anos. Acabei me casando e, como ele trabalha com infraestrutura de rodovias, precisou se mudar várias vezes. Moramos em Ilhéus e em Itacaré, na Bahia, época em que advoguei e fui assistente judiciária de um juiz. Depois, fomos para Embu das Artes (SP), voltei grávida da Lívia para Campo Mourão, fomos para Ourinhos, Sinop (MT), engravidei da minha segunda filha e, em 2013, vim para Bauru, porque o Silas, contratado de uma empresa, era responsável técnico pelas obras da Nações Norte. E, como as meninas já estavam crescendo e gostamos muito da cidade, fixamos residência aqui.
JC - Em que momento decidiu voltar a cozinhar, agora como um negócio?
Liliana - Depois que tive minhas filhas, decidi que me dedicaria a elas. Mas, como sempre trabalhei e queria ter meu próprio dinheiro, ainda em Ourinhos, comecei a fazer docinhos para festas. Já em Bauru, como frequentava duas academias e tinha contato com as mães das amigas das minhas filhas, comecei a vender marmitas low carb para os mais próximos e isso coincidiu com a popularização do Instagram. Comecei a estudar, fazer cursos e o negócio foi crescendo. Por sugestão da minha irmã mais nova, que é formada em marketing, comecei a postar, em 2016, as receitas das comidas que eu vendia.
JC - Como você define sua culinária hoje?
Liliana - Houve várias transições. Antes, eu fazia comidas para festas de família. Depois, fiz muita marmita low carb. Hoje, com o crescimento do meu Instagram, 70% das receitas são de dieta e o restante, comida para as crianças, pratos do fim de semana. Meu público é 90% feminino e abri o leque porque era uma demanda das seguidoras e também das empresas para quem produzo conteúdo. Mas o que faz mais sucesso são os conteúdos orgânicos mais simples, quando eu me comunico de forma mais solta, com uma pitada de humor. Acho que me destaco também pela criatividade, porque, muitas vezes, faço comida com o que tem na geladeira e as pessoas se identificam. É uma culinária gostosa, do dia a dia da mulher que está na correria. Além disso, sou meio bocuda, sem filtro, mostro que, às vezes, me queimo na cozinha ou meu marido não gosta da comida, e acho que as pessoas também se identificaram com esta autenticidade.
JC - Além de se manter financeiramente, você tem algum propósito com seu trabalho?
Liliana - Incentivar as pessoas a voltarem a ter prazer novamente em comer a comida feita em casa e a cozinhar em casa com a família. A maioria das mulheres que me seguem é da geração em que as mães já trabalhavam fora. Muitas vezes, elas não sabem nem o básico da cozinha, consomem muito fora de casa ou produtos ultraprocessados. Hoje, quando saio na rua, sou abordada ao menos uma vez por uma seguidora e vejo que elas são muito parecidas comigo. Fico feliz em poder ajudá-las a voltar a consumir 'comida de verdade'.
O QUE DIZ A CULINARISTA
'Comecei a vender marmitas low carb e isso coincidiu com a popularização do Instagram. Comecei a postar em 2016'
'O que faz mais sucesso são os conteúdos orgânicos mais simples, quando eu me comunico com uma pitada de humor'
'Meu propósito é incentivar as pessoas a voltarem a ter prazer novamente em comer a comida feita em casa'