O Brasil atingiu pela primeira vez em sua história a marca de 35% de seus trabalhadores recebendo ao menos 1 salário mínimo (R$ 1.320,00), um número que, sim, precisa ser destacado, mas ainda não vejo como merecedor de comemoração. Isso porque, em contrapartida, 90% dos trabalhadores recebem menos que 3 salários mínimos (R$ 3.960,00).
Quando me deparo com um dado como este fico ainda mais preocupado com a lentidão do desenvolvimento econômico da população do país...
Se por um lado é importante destacar que nos últimos meses o número de empregos formais aumentou com mais trabalhadores com registro em carteira, por outro não empolga tanto, pois em sua grande maioria são vagas com remuneração mínima.
Claro que para um pai/mãe de família, a renda de R$ 1.320,00 garantida todo mês é melhor que a angústia do desemprego, porém, não podemos nos conformar com o ditado "antes pingar do que secar", o mercado das indústrias precisa aquecer novamente, bem como outros segmentos que, historicamente, tem uma remuneração melhor para que assim se quebre o monopólio instalado no país pelas redes de supermercados e telemarketing que possuem uma remuneração menor mas acaba sendo a única opção para o trabalhador.
O Brasil nos últimos anos tem formado muitos profissionais, tanto com ensino superior como com cursos técnicos, mas perdemos muitas empresas também devido às más políticas e condução de nossa economia, por isso temos muitos profissionais que não atuam em suas áreas, pois não existe mais a demanda.
Vejam, para que não pareça um discurso pessimista de minha parte sobre a quantidade de trabalhadores com apenas 1 salário mínimo, o Brasil possui por volta de 200 milhões de habitantes que, destes, 34 milhões atingiram 1 salário e outros 33 milhões ainda não ganham nem isso.
A inflação que aterroriza todo o mundo, quando atinge o assalariado ela não aterroriza, ela mata!
Isso porque o salário mínimo de R$ 1.320,00, além de irrisório fere nossa Constituição Federal em seu caput do art. 6°, pois com ele não é possível termos acesso ao que nos é garantido no artigo como situações básicas, moradia, segurança, saúde, lazer, etc...
O salário mínimo é para no máximo sobreviver e não viver.
O Brasil precisa progredir.