O governo teria um resultado muito mais eficiente no acolhimento à população em situação de rua na época do frio se tivesse uma política de assistência social permanente nesse sentido.
Quem diz é o vereador José Roberto Segalla (União Brasil), que não gosta nem um pouco do termo "ações emergenciais". "Se é emergencial é porque não houve planejamento prévio", critica.
Promotor público, engenheiro e professor universitário aposentado, Segalla lecionou disciplinas sobre organização durante 20 anos e não esconde o gabarito que tem para falar sobre o assunto. "Estou me propondo a ajudar".
"Será que temos servidores suficientes para realizar trabalho na ponta e ir até os moradores? Temos a quantidade de veículos necessária para essas ações?", questiona o parlamentar, que responde logo em seguida: "Não sabemos. A prefeitura não divulga esses números".
Segalla celebra, por exemplo, a tradicional campanha do agasalho - que já se iniciou e conta com pontos de coleta em dezenas de pontos comerciais de Bauru. Mas faz uma ressalva: quando, afinal, as roupas serão entregues?
"O frio já começou. Vão distribuir quando acumular uma tonelada? E até lá as pessoas passam frio?", destaca o vereador. Uma política de acolhimento permanente resolveria todos os problemas, avalia Segalla.
Para o parlamentar, a Secretaria de Bem-Estar Social (Sebes) poderia mobilizar seus servidores em torno de um departamento, por exemplo, e implementar um projeto continuado. "Não queremos improviso", afirma.
Outra alternativa, para além do acolhimento, seria realizar frentes de trabalho para promover ações de inclusão social à população em situação de rua.
"Locais como o Centro Pop são temporários. Se criássemos uma casa de acolhimento e déssemos emprego a essas pessoas, como a zeladoria urbana, começaríamos a tirá-los da rua", explica.