09 de julho de 2026
BAURU

Técnico em enfermagem é ocupação que lidera acidentes de trabalho em Bauru

Por Guilherme Matos | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Luciana Fortezza
Investimento em segurança do trabalho aumenta a produtividade, ressalta o procurador do trabalho, José Fernando Maturana

Técnico de enfermagem é a ocupação com maior volume de acidentes de trabalho, em Bauru. Entre 2012 e 2022, foram registrados 1.879 casos dessa natureza, com 158 registros somente no último ano. Os dados são da "SmartLab de Trabalho Decente Políticas Públicas de Trabalho Decente Guiadas por Dados", que reúne materiais relacionados ao trabalho.

A base de informações também traz números relativos ao setor econômico com maior incidência desse tipo de problema. A profissão líder no ranking da cidade (técnico em enfermagem) também integra o segmento "atividades de atendimento hospitalar", que protocolou 850 casos nos mesmos dez anos. Mas como os técnicos não são submetidos exclusivamente a este setor, nem todos os acidentes são contabilizados nesta classificação.

Os dados chamam atenção porque somente ligados à Prefeitura de Bauru, existem, atualmente, mais de 1.800 servidores na Secretaria de Saúde, segmento em questão.

O procurador do Trabalho de Bauru José Fernando Ruiz Maturana explicou que o atendimento hospitalar, também recordista em nível estadual e nacional, é um setor que possui protocolos de segurança e um baixo nível de informalidade para seus trabalhadores. Essas condições garantem que todo e qualquer acidente seja registrado - mesmo que uma simples perfuração de agulha - e, assim, amplie o volume.

Setores com maior tendência à informalidade podem acumular casos que não chegam às instâncias responsáveis como, por exemplo, a construção civil, onde o percentual de trabalhadores nesta situação gira em torno de 68%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Somente em 2022, Bauru registrou 2.244 acidentes no trabalho. Entre 2012 e 2022: 23.864. O número colocou a cidade em 15.° no ranking dos 645 municípios do estado de São Paulo e em 40.° entre os 5.570 do País. No total, o ano passado, foram 612,9 mil notificações no Brasil, sendo 204.147 somente no estado. A Capital paulista acumula a maior parte dos episódios.

Pelo viés do setor econômico, a recordista na cidade está classificada como "Atividades de Correio", com 3.132 ocorrências, na série histórica (de 2012 a 2022). Ela é seguida por "Atividades de atenção à saúde humana não especificadas anteriormente", com 2.199 casos no mesmo período.

A plataforma SmartLab estima em 15,5% o percentual de subnotificações, mas o procurador do Trabalho de Bauru José Fernando Ruiz Maturana acredita que pode ser ainda maior. Ele explica que alguns setores e empresas adotam modelo para evitar a comunicação de ocorrências. Isso porque, quanto maior o volume de ocorrência, maior o valor do seguro que o estabelecimento paga à Previdência.

"Uma das consequências do acidente de trabalho é elevar o valor do Seguro de Acidente de Trabalho, que é pago para a previdência (INSS). É um percentual que varia de 1% a 4% e um dos fatores de cálculo é o percentual de acidentes", reitera o procurador.

Ele destaca ainda que essa prática (a não comunicação de acidentes) afeta negativamente as empresas porque impacta na produção. Maturana recomenda o investimento em Segurança do Trabalho.

"Além de preservar a integridade física do trabalhador, sempre resulta em aumento de produtividade e de qualidade da atividade econômica. Vários estudos comprovam que a melhoria do ambiente de trabalho também melhora a produção e a própria rentabilidade da empresa", finaliza.