11 de julho de 2026
EM BAURU

Calçadas de pedras portuguesas são parcialmente concretadas na Rodrigues

Por Tisa Moraes e Larissa Bastos | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Tisa Moraes
Calçada na quadra 8 da avenida Rodrigues Alves

Aguardado há vários anos pela população, o recape da avenida Rodrigues Alves tem melhorado significativamente as condições de tráfego da via, porém, intervenções realizadas nas calçadas de pedras portuguesas desagradaram comerciantes da região. Da quadra 2 à 9, mais de um metro de largura do tradicional piso, rente à sarjeta, foi retirado e substituído por concreto.

A brusca ruptura do mosaico deixou alguns lojistas - que aceitaram conceder entrevista ao Jornal da Cidade sob a condição de anonimato - descontentes. "Foi um serviço de péssima qualidade. Passaram a máquina nas pedras portuguesas, que não são baratas, e jogaram tudo no lixo, junto com a terra. A aparência ficou horrível", relata um comerciante.

Conforme o JC noticiou, a segunda etapa do recape da Rodrigues, no trecho entre as avenidas Pedro de Toledo e Nações Unidas, no Centro, começou em setembro de 2022. O serviço é realizado por uma empresa terceirizada.

Por meio de nota, a prefeitura informou que, quando a intervenção na calçada é feita pelo DAE ou Secretaria Municipal de Obras (mesmo via terceirização), a própria autarquia ou a pasta providenciam o conserto. "Sobre as pedras portuguesas, os reparos são realizados com as que são retiradas do local", diz a nota, contrariando o ocorrido nas oito quadras da avenida.

A assessoria de imprensa do Executivo informou, contudo, que não há lei específica que obrigue o município a repor o piso como originalmente foi concebido. Acrescentou, ainda, que tanto o governo quanto os comerciantes (quando estes precisam perfurar a calçada para uma obra) devem apenas deixar o passeio público trafegável.

Um comerciante alegou, no entanto, ter tido conhecimento de lojistas que já foram autuados pela prefeitura justamente por não recolocar as pedras após realizar o conserto de encanamentos. "E a gente sabe que, daqui a pouco, esse concreto vai começar a arrebentar. Não tem comparação com as pedras portuguesas. Tudo bem realizar as obras, mas tinham que ter deixado a calçada como era. Foi pura falta de zelo", reclama.

Depois de percorrer a avenida, no final da tarde desta quarta-feira (10), a reportagem entrou em contato com a assessoria da prefeitura, pela segunda vez, para questionar o motivo destas intervenções no passeio público. Porém, devido ao adiantado da hora, não foi possível obter retorno.

O JC também recebeu queixas de comerciantes em razão de um buraco aberto pelo DAE e ainda não recomposto, na quadra 7 do Calçadão da Batista de Carvalho, em plena semana de vendas para o Dia das Mães. De acordo com o gerente de uma loja, que também não quis se identificar, um vazamento de água surgiu no local na segunda-feira (8) e, no mesmo dia, ele ligou para a autarquia, informando sobre o problema.

"A equipe só veio hoje (ontem) de manhã. O conserto foi feito e, agora, resta saber quando as pedras portuguesas serão recolocadas. Ao menos cercaram com cavaletes para ninguém se machucar. É uma situação que não chega a atrapalhar o comércio, porque o buraco está no meio do Calçadão e não na porta das lojas, mas está feio", avalia. Por meio de nota, o DAE informou que o reparo do vazamento foi concluído na manhã desta quarta-feira e agentes do Grupo de Operações de Trânsito (GOT) da Emdurb efetuaram a sinalização, que será mantida até a Secretaria Municipal de Obras realizar a recomposição do passeio público.