10 de julho de 2026
CULTURA

‘A Morte do Adivinho’ é obra policial cheia de reviravoltas

Por FolhaPress |
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
“A Morte do Adivinho” do médico Rudolph Fisher

Primeiro título da recém-lançada coleção Clube do Crime - que resgata livros de mistério inéditos ou pouco conhecidos no Brasil -, "A Morte do Adivinho" é considerado o primeiro romance policial escrito por um afro-americano, o médico Rudolph Fisher. Os detetives, os suspeitos e as vítimas vivem no Harlem, o bairro negro de Nova York.

Eis um divertimento de primeira. E não só pelo ambiente, retratado pelo autor com cores e falas vivas, mas também pela trama cheia de reviravoltas e cuja solução só se revela nas últimas páginas. Os amantes do gênero - que era o mais consumido no mundo até o advento do fenômeno da autoajuda - não vão se desapontar.

Publicado em 1932, "The Coanjure-Man Dies", no original em inglês, é uma típica obra de transição entre dois modelos consagrados ao longo do tempo, mesclando elementos do romance de mistério ao modo inglês, que predominou entre os anos 1880 e 1930, e do estilo hard-boiled americano que, em fins da década de 1920, revolucionou a literatura criminal injetando ação ao suspense. Há uma dupla encarregada de desvendar o crime, lembrando o esquema de Arthur Conan Doyle e Rex Stout, mil vezes copiado. O médico John Archer, que tem a mesma profissão do autor do romance, não é tão cerebral e perspicaz como Sherlock Holmes ou Nero Wolfe, embora tenha alguns vislumbres de dedução.

O par se completa com o detetive de polícia Perry Dart, responsável pelos interrogatórios. Dart trabalha no Harlem porque "não poderia, sob nenhuma circunstância, ser confundido com nada além de um negro; ou talvez, como os colegas insistiam, o escolheram porque sua pele, generosamente pigmentada, o tornava invisível no escuro".

Os dois vão investigar o assassinato (ou o que parece ter sido um assassinato) de uma figura sinistra. Sem abrir mão do entretenimento e do jogo de descobrir quem é o assassino, Fisher antecipa a literatura noir e ao mesmo tempo social de Chester Himes, criador nos anos 1950 da dupla de policiais Coffin Ed Johnson e Grave Digger Jones, conhecidos no Brasil como Ed Caixão e Jones Coveiro, cujas histórias também têm o Harlem como cenário.