A Secretaria Municipal de Saúde começou a instalar somente agora 360 computadores que estavam no almoxarifado da prefeiturda desde meados de dezembro. Quem fez a denúncia foi o Conselho Municipal de Saúde (CMS). Para além dos PCs, há também outros 106 equipamentos de ar-condicionado armazenados no depósito e aguardando instalação.
Enquanto isso, diz o Conselho, unidades de saúde de Bauru - entre UPAs e postos de saúde - sofrem com ares-condicionados quebrados e falta de ventilação. Todos os equipamentos chegaram ao almoxarifado da Saúde entre os meses de novembro e dezembro do ano passado. E lá ficaram até a metade de abril de 2023.
Para o Conselho, uma das evidências de que a pasta permaneceu um tempo sem ter controle sobre o depósito está no fato de que, apesar dos equipamentos em estoque, a Saúde chegou a abrir edital para comprar novos ares-condicionados. A licitação, porém, acabou fracassada porque a prefeitura não concordou com os preços sugeridos pelos fornecedores.
Em nota encaminhada ao JC há cerca de 15 dias, o governo afirmou que havia iniciado a instalação dos computadores e que promoveria uma força-tarefa para alocá-los em cada uma das unidades para as quais os equipamentos foram designados.
O Conselho contesta o prazo. Segundo Rose Lopes, integrante do colegiado, o departamento de Tecnologia da Informação (T.I.) afirmou ao CMS que tem capacidade para instalar apenas três computadores por dia.
Neste caso, a implementação integral das máquinas levaria três anos. "Foi um erro contratual tremendo. A licitação deveria incluir não só a compra dos computadores, mas também a instalação e formatação dos equipamentos", critica Rose.
A prefeitura também garantiu ao JC que já iniciou a instalação dos ares-condicionados. Mas não informou nenhum prazo para o término da implementação - tanto dos computadores como dos aparelhos de ar-condicionado.
Rose diz que a morosidade com que a Saúde tratou a instalação dos equipamentos prejudica acima de tudo os servidores da pasta - que acumulam queixas de defasagem nos materiais e falta de mão de obra.
Os transtornos de logística e gestão envolvendo a Secretaria de Saúde foram uma das razões que levaram à queda da ex-secretária, a médica Alana Burgo. Segundo o Conselho, não havia comunicação entre o almoxarifado e a pasta, o que dificultava relatórios de controle de estoque, por exemplo.
O diálogo entre a Secretaria de Saúde e o conselho homônimo está complicado há meses, diz Rose. Ofícios demoram a ser respondidos, e reuniões com a nova titular da pasta, Giulia Puttomatti, são de difícil agendamento.
Um dos fatores que atrasam a logística da pasta, segundo Rose, é a centralização das verbas na Secretaria de Finanças. "Quando há a necessidade de se fazer uma compra, por exemplo, é preciso enviar ofício para a Finanças, que avalia disposição orçamentária e responde à Saúde se é ou não possível realizar a aquisição. O problema é que isso leva vários dias", aponta.