08 de julho de 2026
OPINIÃO

De quem é a responsabilidade?

Por Georgia Nogueira |
| Tempo de leitura: 2 min
A autora é colaboradora de Opinião

Como professora e funcionária de uma escola pública, me sinto na obrigação de propor uma reflexão sobre os tristes acontecimentos da atualidade. Muitos pais têm questionado nas portas das escolas quais providências estão sendo tomadas para promover a segurança de seus filhos. Trabalhadores das instituições escolares, ao lado dos pais, igualmente questionam as autoridades competentes quais medidas estão sendo tomadas para combater a violência, que parece adquirir proporções cada vez maiores.

Porém, como além de professora sou também cidadã, creio que o alvo para as questões deve ser analisado. Parto das seguintes reflexões: 1ª) Os que provocaram os ataques são, na maioria, estudantes e jovens. Portanto, são alunos ou ex-alunos das escolas. Se são os jovens e estudantes os infratores, infelizmente, o que nós, como pais, podemos e devemos fazer para que nossos filhos não venham a cometer atos tão infelizes? Nós, pais, podemos e devemos verificar as mochilas de nossos filhos ao levá-los para a escola, observar o que eles vêm acessando no celular ou no computador, o teor das conversas que estabelecem e com quem, o que os desenhos ou programas que assistem trazem como mensagens implícitas.

Nas instituições escolares disseminamos o respeito, a amizade, as regras de convívio social, a tolerância, a colaboração, entre outros conceitos para uma convivência pacífica, embasada no respeito mútuo. Assim, aos profissionais da Educação cabe a análise para ajustar posturas relativas aos conceitos propagados como: o acolhimento, à escuta das necessidades dos alunos, tornar o ambiente escolar mais atrativo, além de estabelecer relações embasadas da afetividade e promover a resolução de conflitos por meio da mediação.

2º) Às autoridades competentes, diante da necessidade, cabe a responsabilidade de providências urgentes, já que a situação vai além de uma fato isolado. E essas providências dizem respeito a questões que envolvem todo o contexto educativo - valorização dos profissionais da Educação, infraestrutura, formação docente, entre outros. Se vivemos em uma sociedade, todas as nossas ações, direta ou indiretamente, formam os costumes do local em que vivemos, contribuindo assim, para a formação de seus indivíduos. E isso leva a uma conclusão: todos somos frutos da sociedade em que vivemos. Claro que devemos considerar que nem todos agem da mesma forma, pois além da escola, a família exerce vital influência na formação do cidadão, colaborando fortemente para a formação de valores de seus integrantes. Família e escola, por sua vez, são marcadas por vários fatores como nível sócio econômico, grau de escolaridade, acesso aos bens materiais e intelectuais, local de moradia, dentre outros. Somos seres sociais, únicos, agindo e reagindo a tudo e a todos que nos cercam.

Então reflito: será que a pergunta mais apropriada para situação atual não seria: "O que todos nós podemos e devemos fazer para a situação?". é jogando a responsabilidade para o outro que resolveremos ou mudaremos a situação, mas fazendo, cada um de nós, a parte que nos cabe.