10 de julho de 2026
EM ENTREVISTA

8 de janeiro: todos serão responsabilizados, da esquerda à direita, diz Augusto

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Isabele Scavassa/JC Imagens
O deputado federal Capitão Augusto (PL): para ele, oposição pode ter dificuldades na CPMI

O deputado federal Capitão Augusto (PL), que mantém domicílio eleitoral em Bauru, afirmou nesta segunda-feira (24) que há veementes indícios de que vários atores foram omissos nos ataques à Praça dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro deste ano. E defendeu a responsabilização de todos os envolvidos no episódio, da direita à esquerda.

"Não defendemos, em hipótese alguma, os atos que aconteceram no dia 8. Queremos apurar, na verdade, as responsabilidades. Os manifestantes eram pessoas comuns. Se o governo tivesse um aparato de segurança preparado, tudo isso poderia ter sido evitado", disse o parlamentar ao comentar a iminente instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso.

As declarações de Augusto foram proferidas durante entrevista ao programa Cidade 360.º, uma parceria entre o Jornal da Cidade e a 96FM, na manhã de ontem (24/4).

O deputado também criticou a imposição de sigilo de cinco anos sobre as imagens do circuito interno do Palácio do Planalto, sede da Presidência da República, do dia 8 de janeiro, data dos ataques. Segundo ele, isso é um indício de que o governo tinha conhecimento de que o general Gonçalves Dias, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), foi omisso durante o episódio.

O general foi flagrado em imagens do circuito interno do Palácio divulgadas pela CNN Brasil na semana passada.

"Ao que nos parece, o governo sabia do crime de omissão do general Gonçalves Dias. E não tomou nenhuma providência. Se isso se confirmar, obviamente se configura crime de responsabilidade", destacou. Ele não descartou a possibilidade de que eventuais pedidos de impeachment do presidente sejam parte do desdobramento das investigações.

Augusto, porém, já prevê dificuldades no andamento da CPMI. Isso porque o Palácio do Planalto passou a apoiar a instalação da comissão de inquérito após as divulgações das imagens pela CNN - e, na prática, costura acordos para ocupar cargos estratégicos no colegiado, como a relatoria e a presidência.

"O Partido Liberal foi o autor do requerimento que pediu a instauração de CPMI. E é também a legenda com maior quantidade de deputados e senadores. Teoricamente, então, teria direito a esses cargos. Mas isso não é previsto pelo regimento, que determina a distribuição dos cargos a partir de blocos partidários", afirmou.

"Creio que teremos obstáculos até para aprovar requerimentos", lamentou o deputado federal.

Ainda na entrevista, Augusto disse que a oposição recebe um "verdadeiro prato cheio" a cada gafe cometida pelo governo do presidente Lula.

Ele também classificou como "absurdo" o posicionamento do Palácio do Planalto relacionada à guerra na Ucrânia. "É um governo que não apresentou absolutamente nada nos primeiros 100 dias e que ainda está patinando na economia", afirmou.

O deputado Capitão Augusto também reiterou ao longo da entrevista sua pré-candidatura à Prefeitura de Bauru nas eleições do ano que vem. Ele anunciou em janeiro que pretende se lançar na disputa e tem se movimentado desde então.

"Já está certo que o PL terá uma candidatura a prefeito de Bauru. E que há interesse da legenda em lançar o meu nome porque eu sou o único deputado federal da região e o segundo mais votado no município", apontou o parlamentar.

Ele destacou, entre outras coisas, que o partido terá o maior tempo de rádio e televisão no horário eleitoral, o que, segundo Augusto, será fundamental no âmbito da campanha municipal.

"Teremos também uma retaguarda do agora presidente de honra do PL, Jair Bolsonaro, e da presidente do PL Mulher, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro", ressaltou.

O deputado afirmou, no entanto, que pode abrir mão da candidatura caso haja um nome considerado mais forte - desde que este nome esteja filiado ao Partido Liberal.