10 de julho de 2026
POLARIZAÇÃO

Brasil está a poucos passos de entrar em polarização severa, diz pesquisa

Por FolhaPress |
| Tempo de leitura: 2 min
André Porto
Para Ana Julião, gerente geral da Edelman Brasil, cenários mudam conforme a renda

Na esteira de uma onda global de sociedades divididas, o Brasil está a poucos passos de uma severa polarização - ou seja, um estado em que cidadãos veem profundas divisões e não acham que é possível superá-las -, mostra a pesquisa Edelman Trust Barometer.

Divulgado esta semana, o material contempla 28 países e ouviu mais de 32 mil pessoas em novembro passado. O levantamento chama a atenção para outro fator que dialoga com a polarização: houve um colapso no otimismo econômico, mostram os dados.

Apenas 58% dos brasileiros entrevistados disseram estar otimistas quando questionados sobre a situação na qual estarão daqui a cinco anos, uma queda de 15 pontos percentuais em relação aos números da pesquisa de um ano atrás. A tendência é global: dos 28 países pesquisados, 24 observaram queda recorde nas cifras dessa pergunta.

Ao lado do Brasil, há outros oito países considerados em risco de polarização severa. São eles: Coreia do Sul, México, França, Reino Unido, Japão, Holanda, Alemanha, e Itália. E seis que já atingiram esse estágio: Argentina, Colômbia, EUA, África do Sul, Espanha e Suécia.

Um dos pontos que mais despertou a atenção dos pesquisadores reside na opinião dos brasileiros sobre a coesão social. Para 80%, nunca antes foi vista tamanha falta de civilidade e respeito mútuo como no cenário observado atualmente. A média global é de 65%.

Em sua 23ª edição, a pesquisa mede o nível de confiança em diferentes setores. Brasileiros seguem confiando mais em empresas (64%) e ONGs (60%) do que na mídia (46%) e nos governos (40%). Ainda assim, a confiança nas instituições subiu seis pontos percentuais.

Ana Julião, gerente geral da Edelman Brasil, diz que o ligeiro aumento não chega a surpreender. "Em época eleitoral, sempre observamos um aumento da confiança na instituição do governo. Independentemente de qual seja o novo governo, existe confiança na expectativa da mudança."

A pesquisa conversou com brasileiros no mês seguinte à derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas urnas e à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que dali a dois meses retornaria ao Palácio do Planalto mais de dez anos após o fim de seu segundo mandato.

Julião destaca os diferentes cenários desenhados pela renda dos brasileiros. Entre aqueles de alta renda ouvidos para o levantamento, a média dos que estão confiantes nesses setores, das empresas à mídia, é de 56%. Já entre os de baixa renda, a média de confiança cai para 58%.

Segundo a pesquisa, o cenário global de menor confiança nos governos e na imprensa tem relação direta com o nível de polarização global - e a fragmentação social também distorce a confiança nesses setores, levando a uma espécie de ciclo vicioso.