09 de julho de 2026
DENGUE TIPO 1

Dengue grave em Bauru intriga Saúde e Butantan estuda o vírus

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Samantha Ciuffa/JC Imagens
Ezequiel Santos, diretor do Departamento de Saúde Coletiva de Bauru

O aumento de casos graves de dengue em Bauru, inclusive entre pacientes jovens e sem comorbidades, tem preocupado a Secretaria Municipal de Saúde. Na tentativa de descobrir se há algo diferente no comportamento do vírus causador da doença, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) solicitou, inclusive, um estudo ao Instituto Butantan, que está fazendo a análise de proteínas e o sequenciamento de amostras de material genético de pacientes infectados na cidade.

Somente neste ano, Bauru já contabiliza 4.137 casos de dengue, sendo quatro óbitos, de dois homens com 62 e 87 anos, uma adolescente de 15 anos e uma menina de 9 anos. Segundo Ezequiel Santos, diretor do DSC, o vírus em circulação neste ano, o den-1, é considerado menos letal do que o den-2, responsável pela epidemia de 2019, a maior registrada no município, com mais de 26 mil infectados e 42 mortes.

"O den-1 causava óbitos mais entre pessoas com comorbidades e mais idosas. Mas estamos vendo uma mudança de perfil. Desde o ano passado, estamos percebendo que ele está acometendo pessoas jovens e sadias, com agressividade. Já vimos paciente morrer em menos de 24 horas do início dos sintomas", acrescenta.

Além disso, segundo ele, as primeiras mortes do ano estão sendo registradas com menos de 1 mil casos contabilizados, diferentemente de um passado recente, quando os registros ocorriam após 8 mil a 10 mil casos. "Isso nos leva a crer que a doença também está mais letal", pontua.

Intrigado com esta situação, Santos recorreu ao Butantan, que está analisando 79 amostras de sangue enviadas por Bauru em 2022 e mais 46 deste ano. O objetivo, segundo o diretor do DSC, é saber qual a origem do vírus - da África ou da Ásia (mais agressivo) - e se ele está sofrendo mutações.

"Levantamos esta hipótese, que poderá, ao final, ser descartada. Mas isso mostrará que sabemos muito pouco sobre este vírus, porque há algum fator que está deixando a doença mais agressiva, inclusive entre pessoas que relatam não terem contraído dengue anteriormente. Pode ser que os órgãos de saúde precisem revisar protocolos em relação a esta doença", comenta.

Para o médico infectologista Taylor Endrigo Toscano Olivo, a possibilidade de o vírus ter sofrido mutações está descartada, visto que o da dengue não sofre alterações, como é comum ocorrer com os vírus da gripe, Covid-19 e HIV. "A gente tem tipos diferentes de dengue, menos ou mais virulentos, mas eles não mudam. O que pode ocorrer é que, em situações epidêmicas, os pronto atendimentos acabam ficando muito sobrecarregados e a assistência fica aquém do ideal", frisa.

Santos, contudo, alega que o primeiro óbito deste anjo, de uma adolescente de 15 anos, ocorreu em fevereiro, quando a cidade ainda contabilizava cerca de 400 casos e a demanda por atendimento ainda era baixa.

O médico infectologista Taylor Endrigo Toscano Olivo explica que, até o momento, somente a rede privada de saúde oferece vacinas contra a dengue. Uma delas é a Dengvaxia, que só pode ser aplicada em pessoas entre 9 e 45 anos e que já tiveram dengue.

Outra é a Qdenga, com uso aprovado recentemente no Brasil para um público mais amplo, de 4 a 60 anos de idade. Porém, a comercialização do produto só deve começar em território nacional no segundo semestre deste ano.

"E o Butantan também está desenvolvendo uma vacina, mas ainda vai demorar um tempo até a comercialização", frisa. Segundo o instituto, o imunizante não deverá ser submetido à aprovação da Anvisa antes de julho de 2024.