09 de julho de 2026
OPINIÃO

“Ao mestre, com carinho”

Por Arnaldo Ribeiro |
| Tempo de leitura: 2 min
O autor é jornalista, contador e formado em Gestão Pública

Se você tem um pouco mais de idade, provavelmente já viu o filme ao qual faço uma homenagem com o título desse artigo. "Ao mestre, com carinho" foi lançado em 1967, estrelado por Sidney Poitier. Na trama, Poitier é um engenheiro que se vê desempregado e aceita dar aulas em Londres. Os alunos, desordeiros e indisciplinados, o confrontam. Mas o professor é resiliente, encara o desafio, conquista os alunos e, no fim, desiste da antiga profissão pelo amor ao ensino.

Hoje os tempos são outros e os desafios também. Os jovens de agora são muito diferentes daqueles mostrados na obra dos anos 1960. O leitor deve ter lido ou visto nos noticiários casos que vão muito além dos narrados pelo filme. Tivemos recentemente mortes em escolas no Brasil, uma atitude bisonha importada dos Estados Unidos e potencializada por uma rede de ódio existente na internet. Como se não bastasse, vimos e lemos nos últimos dias inúmeras ameaças a escolas e universidades. Inclusive aqui em Bauru.

O episódio me fez lembrar dos dias em que eu frequentava a Escola Estadual Henrique Bertolucci, na Vila Independência, nos saudosos nos 1970. Os tempos eram outros, eu sei, da mesma forma como sei que a relação entre alunos e professores era pautada pelo respeito, carinho e apreço. Recordo que fazia fila para levar o material das professoras no final da aula. E como esquecer da maçã oferecida ao professor envolvida em um papel roxo, simplesmente inesquecível. Contávamos, me arrisco a dizer, com o carinho não só dos professores, mas também dos demais funcionários do colégio. Claro, existiam problemas, como seguem existindo no ensino do nosso país. Nada disso, nem de longe, justifica qualquer tipo de violência. Daquele tempo, trago uma parte grande de quem sou hoje. Mais do que o conteúdo de cada disciplina, a escola (professores, funcionários e colegas) ajudaram a me moldar como ser humano. Lições de humildade, profissionalismo e amor ao próximo foram aprendidos em meio às aulas. Os valores ali transmitidos nos norteiam até hoje. feliz de quem viveu essa época. Tive o privilégio de entrar na escola já alfabetizado pela minha professora número 1, a professora e bibliotecária Dona Odete, minha mãe.

Temos uma responsabilidade como sociedade de ajudar os nossos jovens a passar por essa fase tão difícil. Devemos aos professores e funcionários o respeito que eles merecem. É nossa missão ajudar na formação saudável de jovens que parecem estar perdidos em um mundo sem limites. A lição de resiliência ensinada em "Ao mestre, com carinho" nunca foi tão importante. Que ela seja uma aula e que palavras de violência e derramamento de sangue nas nossas escolas possam ficar para sempre no passado. Uma saudação especial às professoras, Lourdes, Amélia Moura e Therezinha Paulicci, minha gratidão e respeito.

Se você é jovem e ainda não viu o filme, procure-o. É importante nos dias de hoje.