11 de julho de 2026
ENTREVISTA

Entrevista com a empresária Natalia Pereira, do Grupo Mulheres em Bauru

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Larissa Bastos
Em suas quatro franquias, Natalia Leandro Pereira emprega 117 pessoas, majoritariamente mulheres

Transformar vidas é a sua diretriz

"Fazedora", inquieta, inconformada. Estes são alguns adjetivos que a empresária Natalia Leandro Pereira, 36 anos, líder-fundadora do núcleo Bauru do Grupo Mulheres do Brasil, atribui a si mesma. Seja neste projeto, idealizado nacionalmente pela também empresária Luiza Helena Trajano, ou em suas quatro franquias da empresa Maria Brasileira, especializada em limpeza residencial e empresarial, a missão de Natalia é transformar vidas.

Agora, em mais uma empreitada, ela pretende abrir, em Campo Grande (MS) - onde o marido Fabio Lapuente Mahl trabalha - uma franquia de consultoria para auxiliar empresas a cumprirem metas de diversidade e inclusão em cargos de liderança. No Mulheres do Brasil em Bauru, Natália lidera um grupo de cerca de 180 voluntárias, que atuam em variadas frentes, como igualdade racial, combate à violência doméstica e empreendedorismo, sempre com foco no potencial feminino.

Já na Maria Brasileira, ela emprega 117 funcionários, em sua maioria, mulheres. Nascida em Bauru, filha de uma professora e um caminhoneiro, a empresária é formada em relações públicas e especializada em marketing e em gestão de franquias. Hoje, ela divide sua rotina entre Bauru e Campo Grande, ao mesmo tempo em que usufrui da maternidade recente, concretizada com a chegada de Madalena, 1 ano.

Nesta entrevista, Natalia revive sua trajetória profissional, descreve o trabalho que realiza para empoderar mulheres e explica como estas iniciativas, especialmente quando envolvem a conscientização de gestores de empresas, podem transformar a sociedade. Leia, abaixo, os principais trechos.

JC - Você entrou no Grupo Mulheres do Brasil antes ou depois de empreender?

Natalia - Fui empreender por causa do grupo. Antes, trabalhei por nove anos na empresa de eventos Ticomia. Comecei como assistente de eventos, depois fui coordenadora e participei da formatação de franquia deles, cuidando da implantação das unidades. Mas quis buscar outras oportunidades. Fazendo pesquisas, descobri que haveria uma ação afirmativa do Mulheres do Brasil em São Paulo, do Comitê de Igualdade Racial, chamada Aceleradora de Carreiras. Foram três dias e saí de lá decidida a empreender. Isso foi em 2018.

JC - E por qual motivo decidiu investir na área de limpeza?

Natalia - Em um evento de franquias, conheci os donos da marca Maria Brasileira e perguntei se eles estavam precisando de uma franqueada em Bauru. Comprei a franquia em 2020 e, de lá para cá, já tenho quatro unidades: Bauru, Lençóis Paulista, Lins e Bady Bassitt. Escolhi a Maria Bonita pensando em empregabilidade, geração de renda. Emprego 117 pessoas, que são, majoritariamente, mulheres.

JC - Hoje, você lidera o núcleo Bauru do Mulheres do Brasil. Como é este trabalho?

Natalia - Conversando com meu marido, entendi que as bauruenses precisavam conhecer este grupo maravilhoso focado no potencial feminino, esta rede de apoio incrível. Encontrei a advogada Taís Neder, que foi fundamental para a implantação do núcleo, em 2021, com apoio da OAB. Agora, na liderança do grupo, estamos eu, a Taís e a Juliana Dorigo, diretora de RH da Paschoalotto. Hoje, são 180 voluntárias inscritas. Trabalhamos com diretrizes sustentáveis da ONU, em várias frentes, como saúde, combate à violência contra mulher. Queremos colocar a essência feminina a serviço da sociedade.

JC - Pode citar um exemplo de projeto?

Natalia - Temos o projeto Jasmim, de prevenção à violência contra a mulher. Treinamos líderes de bairros para trabalhar com mediação, atuando no combate à violência doméstica antes que ela aconteça. Líderes de bairro conhecem muito sua comunidade e é a eles que muitas pessoas acabam recorrendo. É um projeto muito bem-sucedido, iniciado no ano passado. Na primeira fase, demos formação para 98% dos líderes da cidade, na OAB, e agora, na segunda fase, são cursos simples voltados à comunidade: informações sobre onde buscar apoio, sobre empregabilidade.

JC - Como surgiu a ideia de abrir uma franquia para prestar consultoria sobre diversidade e inclusão?

Natalia - Para as empresas abrirem capital na Bolsa de Valores, elas precisam investir, obrigatoriamente, em diversidade e inclusão. Elas têm metas a cumprir, de pessoas negras, pessoas trans, por exemplo, em cargos de liderança, mas muitas organizações não conseguem buscar este capital intelectual. Para isso, existem consultorias de diversidade e inclusão, que fazem a seleção de pessoas, às vezes até dentro da empresa, de acordo com a cultura, o orçamento da empresa. É um ramo em expansão e, por isso, pretendo abrir uma franquia da Minuto Consultoria. Agora, fico entre Bauru e Campo Grande. Venho todos os meses para cá.

JC - Como administra a maternidade diante de tantos compromissos?

Natalia - A Madalena chegou para me ensinar que não dá para ser acelerada a vida inteira. Costumo dizer que sou uma pessoa 'fazedora', inquieta, inconformada. Planejo algo e já quero começar a fazer. Com a maternidade, o tempo e as prioridades são outros. Vou ficar em Bauru até o fim do mês e tenho poucos compromissos, o que não ocorria antes da chegada dela. Minha filha foi muito desejada e esperada. É uma menina de luz.

JC - Você se considera uma militante feminista e antirracista?

Natalia - Acredito que, com tanta tecnologia e informação difundida, tem coisas que não faz mais sentido a gente dizer. Gosto de atuar naquilo que vai impactar as pessoas no atacado e não no varejo, a fim de transformá-las. Entendo que a sociedade só vai melhorar quando quem tem forças para mudar as regras tiver consciência de que políticas públicas não importam só para quem precisa delas, mas também para os negócios. Porque um empregado que não tem água para lavar seu uniforme, não tem transporte público ou mora em uma casa que alaga vai faltar no trabalho e o empresário vai deixar de ganhar dinheiro. Quem tem poder precisa cuidar das pessoas.