10 de julho de 2026
OPINIÃO

EE Thomázia Montoro, Vila Sonia-São Paulo

Por Nei (Claudinei Ferreira Lima) e familiares |
| Tempo de leitura: 3 min

Lembro que do 1º ao 4º ano não tínhamos educação física (estudei ali de 1975 a 1982 em plena ditadura... com direito à OSPB e Moral e Cívica), mas desde sempre apreciava ver os jogos, treinos, aulas dos professores Alberto e D. Mirian (de Salto-SP, com seu sotaque inconfundível). Apenas no quinto ano começamos a ter fundamentos do vôlei, basquete, futebol, handebol, os esportes mais praticados.

Numa quadra descoberta, sol ou chuva, estávamos lá, com fé e coragem, as vezes puxávamos rodo para secar mais rápido após uma chuva.

As aulas eram no contra turno, ou seja, estudava de manhã e fazia educação física a tarde, duas vezes por semana, com chamada de presença, boletim e tudo. As bolas não eram lá grande coisa, pesadas, geralmente costuradas, velhas. Redes idem, postes tortos, sem carretilha para puxar a rede. Demarcações apagando. Antenas de rede nem pensar. E o que nos estimulava eram o amor dos nossos mestres em ensinar e as seleções brasileiras de vôlei masculina de feminina escalando rumo ao topo: Bernard, Willian, Jaqueline, Isabel, Bernardinho, Willian, Xandó, Montanaro, Renan...

Meu sonho de consumo era uma bola de vôlei oficial: Rainha, Penalty, Topper. Mas ainda eram caras e curtia a dos amigos. Um dia uma amiga ganhou uma Mikasa trazida por parentes do Japão. Era um sonho.

A paixão era tanta que dois dias de educação física eram pouco e fazíamos vaquinha para comprar bola e rede para amarrar nos postes da rua e jogarmos nas tardes de sábado, domingo e feriados, frio ou calor. Nossa rua preferida era do colégio Thomázia (rua Dr. Adolpho Melo Junior), que apesar de rampada, era sem saída o que evitava a passagem de carros. Nos fundos as fábricas de plásticos Müller e ao lado, não me lembro o nome, era um talude cheio de buracos e ratos, assustador.

Ali ficávamos até escurecer. Outra rua era a de casa: Cel. Octaviano em frente nosso portão e do Eduardo dos Penedos (português). Riscávamos o chão com tijolo/telha ou pintávamos com cal. As bolas caídas nas vizinhas portuguesas eram devolvidas furadas. Percebo ali uma aporofobia dos anos 80, seus filhos não estudavam nem brincavam com a gente e eram metidos a rico! Mas eram classe média! Rs.

Mas voltando à educação física da nossa turma, eis que chega um aluno, @sergiosinphronio que jogava muito, era federado, já com seus 13, 14 anos. E tínhamos competições interescolas. Lembro bem do governo estadual que depois entregavam os certificados de participação: Honra ao Mérito. Nosso sonho era ir jogar no colégio EE Ennio Voss no Brooklin ou EE Daniel Pontes no Rio Pequeno com suas quadras coberta e piso assoalhado.

Nunca chegamos numa final, mas só de competir, sair do bairro, nos sentíamos importantes.

Nessa escola Thomázia tivemos professores lendários que fizeram e fazem a diferença: Edna, Luzia, Zuleica, Lady e Maria José que chegavam de chofer/motorista, Olivia-ciências, Nazareth-geografia, Marinalva-matemática, Taeko-português e inglês, Luiza-Ciências, Maria Luiza e Rosi de educação artística que nos ensinaram cantar corretamente o Hino Nacional e o desenho de observação, sem falar nos funcionários: Décio do sino, depois substituído pela campainha sonora, d. Fúlvia, seu Paes, tinha até dentista na escola! Nessa escola ouvi pela primeira vez de Dorival Caymmi, Pluft o Fantasminha de Maria Clara Machado e Os Saltimbancos de Chico Buarque, encenados pela turma do 8º ano...melhor impossível!

Enfim nessa escola aprendi a amar as artes, o esporte, os mestres, a música, a literatura, a língua inglesa e a valorizar a educação pública de qualidade e seus mestres apaixonados! Força comunidade Thomázia Montoro. O Amor à Educação vai vencer. Professora Elizabeth, Gratidão!