09 de julho de 2026
OPINIÃO

Mutirão pela vida


| Tempo de leitura: 4 min
Elson Teixeira Cardoso, escritor

A dengue é uma questão de políticas públicas e cuidados domésticos, de acompanhamento governamental, conscientização popular e cobrança de resultados, sobretudo pela Prefeitura Municipal, já que o problema é recorrente, preocupante e cada vez maior, podendo levar a um colapso na saúde, por conta de uma possível epidemia - que, de certa forma, está próxima. O que vem ocorrendo, são descasos generalizados. Terrenos baldios tratados como "aterros sanitários", "lixões", onde são descartados diversos tipos de coisas: de garrafas a baldes, de embalagens a caixas, de armários a geladeiras, de colchões a sofás. Terrenos públicos e privados, esquecidos no tempo. Imóveis abandonados, carcomidos pelas demandas judiciais. Casas e condomínios empestiados de toda sorte de acúmulos, mato e lixos de todos os tipos. Residências e comércios abarrotados de criadouros de dengue, e a dengue se espalhando pela cidade, multiplicando dores, nuvens de mosquitos fêmeas alvejando milhares de pessoas com suas picadas de agulha.

Quem não teve algum tipo de dengue? Quem não teve alguém da família, amigos, colegas, conhecidos com dengue? Dengue, essa doença infecciosa febril, aguda e, em certos casos, mortal, causada por um vírus, que tem um mosquito - o Aedes aegypti - como transmissor, o mesmo que transmite a febre amarela, a chikungunya e a zica vírus. Tudo indica que esse mosquito, originalmente do continente africano, chegou ao Brasil nos idos do século XVIII, nos navios negreiros, com aqueles que vinham ser explorados e mortos nestas terras. Também se alastrou pelo continente americano. No século XX, nos anos 80, surgiram as primeiras epidemias em diversos países, inclusive no Brasil, a partir dos Estados de Roraima e Rio de Janeiro, seguindo, ao longo dos anos, em escala menor, por todo o país, alarmando os órgãos públicos, devido à impossibilidade de erradicação. Ocorre que há outras variantes transmitidas pelo mosquito, adaptadas aos países pelas condições geográficas e climáticas.

Há diferenças entre dengue, chikungunya e zika vírus. Basicamente, a dengue caracteriza-se por febre alta, dor de cabeça e dor no fundo dos olhos. Já a chikungunya, por dores e inchaço nas articulações. A zika vírus, por febre baixa, manchas na pele e coceira no corpo. Todas, extremamente prejudiciais às gestantes, podendo levar a fetos anencéfalos, ou mesmo natimortos. Todas causando desconfortos, impedindo as pessoas de trabalharem, de praticarem esportes, de terem lazer, vivendo a normalidade, o que atrapalha a cadeia produtiva e o desenvolvimento econômico.

Especificamente, em Bauru, a dengue persiste desde o final dos anos 80, com algumas interrupções, por conta de ações públicas eficazes. A primeira administração de Izzo Filho (1989-1992) foi exemplar nesse sentido. Tanto no começo, quanto no final dos anos 90 (1997-1999), embora não tenha concluído o mandato - um caso típico de "lawfare", quando a justiça é usada como guerra política -, foram tomadas medidas preventivas de saúde pública, em parceria com os meios de comunicação, a sociedade civil e lideranças comunitárias, que resultaram no controle da dengue. Desde então, a cidade de Bauru padece por não ter prefeito - um prefeito firme, decidido, combativo e realizador - e ter crescido desordenadamente, numa expansão periférica desequilibrada, sem planejamento urbano, sem estruturação futura, características de todas as capitais e grandes cidades brasileiras, que se desenvolvem carecendo de moradias populares, saneamento básico e infraestrutura. Ainda mais quando há área rural no entorno.

Atualmente, devido às aglomerações de casos de dengue nas unidades de saúde de Bauru, além de outras cidades pelo país, há a necessidade de uma mobilização completa no município: órgãos públicos, sociedade civil, lideranças comunitárias, empresas privadas, cidadãos das mais diferentes idades, todos (todes) que estão preocupados com uma cidade com melhor qualidade de vida. É urgente um mutirão, um trabalho integrado, focado na saúde coletiva, com limpeza geral, descarte de pneus, lixos, entulhos, separando materiais recicláveis, capinando terrenos, quintais e chácaras, se desfazendo de tudo o que for inservível, danoso e que possa contribuir com a propagação do Aedes aegypti. Sem contar que servirá para o extermínio de outras pragas nocivas, como caramujos africanos e escorpiões, males que abundam nos montes de sujeiras por todos os lugares.

Assim, todos poderão ficar livres das picadas de décadas dos mosquitos que atormentam, adoecem e, até mesmo, matam, através do vírus que carregam. Independente de novas vacinas mais abrangentes contra a dengue surgirem, e as pesquisas estão adiantadas, essas práticas são fundamentais ao convívio harmônico na sociedade.