Um ecossistema completo em uma galeria de arte, com plantas para atrair borboletas, casinhas para tatu-bola e até uma estrutura para insetos diversos beberem água. A proposta inusual é agora realizada por Maria Thereza Alves no andar térreo da galeria Jaqueline Martins, em São Paulo, um espaço expositivo com um jardim de inverno nos fundos, propício para o conceito desenvolvido pela artista, uma das fundadoras do Partido Verde no final da década de 80 e reconhecida internacionalmente pelo trabalho em prol de causas ecológicas.
Alves consultou um biólogo antes de montar a exposição - toda com trabalhos inéditos -, que une aquarelas em grande formato com instalações pensadas para o espaço da galeria, num misto de arte e ecologia. Ela conta que queria reproduzir um ambiente de Mata Atlântica, hoje bastante destruída pela ação do homem.
Logo na entrada, grandes manchas em cinza, marrom e verde sobre o papel se referem ao processo de destruição dos morros da Mata Atlântica na região de São Luiz do Paraitinga, no estado de São Paulo, cidade de origem da mãe da artista. A vegetação nas representações das montanhas é quase inexistente e o aspecto das aquarelas, lúgubre. O tom sombrio muda quando a artista, valendo-se de uma paleta colorida, desenha os insetos que viveriam na mata se ela estivesse intacta. A abelha arapuá, produtora de mel com propriedades medicinais, aparece em rosa e laranja. A borboleta tem asas de um azul galante.
Junto a uma pilastra, há um amontado de "pedras" feitas de bronze, simulando uma casa de diplópode, inseto que lembra uma centopeia. Preso numa das paredes, "folhas enroladas" de porcelana são um convite para as moscas pousarem.
Para a artista, esta exposição serve como um alerta. "Tem mineração na Mata Atlântica completamente ilegal, perto da aldeia indígena Renascer, em Ubatuba. São atos de destruição que comprovam que não estamos levando a sério nossa administração [do meio ambiente]. Temos que fazer um outro sistema, porque esse aqui não está funcionando para o planeta", ela diz.
CONSELHO DE SERES
Quando Até 29 de abril; ter. à sex., das 10h às 19h; sáb., das 12h às 17h Onde Galeria Jaqueline Martins - r. dr. Cesário Mota Júnior, 443, São Paulo
Preço: Gratuito