09 de julho de 2026
FALAM EM GREVE

Servidores realizam manifestação, governo não cede e greve é avaliada

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
André Fleury Moraes
A prefeita Suéllen e o secretário Everton Basílio deram entrevista coletiva ontem (30)

Muitos servidores públicos de Bauru lotaram a rua Padre João, em frente ao Palácio das Cerejeiras, sede da Prefeitura Municipal, em mobilização pela campanha salarial que contesta a proposta de 6% de reajuste encaminhada pela prefeita Suéllen Rosim (PSD) e pede pelo menos 12% de incremento na folha.

A Polícia Militar (PM) não divulgou estimativa de público, mas o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) calcula que pelo menos 1.000 pessoas participaram do ato.

O protesto estava previsto para as 16h, mas às 15h já havia um público considerável em frente à prefeitura. Apesar dos protestos, Suéllen não desceu até a rua para negociar com o sindicato do setor, e a interlocução ficou a cargo de seu chefe de gabinete, Rafael Lima.

Em coletiva de imprensa no auditório do Palácio das Cerejeiras, a mandatária foi taxativa ao reafirmar que não há margem no orçamento do município para elevar o índice de reajuste. Ela já havia ressaltado isso quando da reunião com o Sinserm em 14 de março, mas a categoria ainda acredita em negociações.

A diretoria do sindicato deu prazo para que a mandatária se manifeste até a manhã de hoje (31) sobre a contraproposta apresentada.

Se não houver negociação, afirmou ao JC o advogado Francisco Martins, que representa o Sinserm, a categoria deve convocar uma assembleia para a próxima terça-feira (4) e colocar uma greve geral em votação. "Neste caso, por tempo indeterminado", disse.

Merendeira da rede municipal de ensino, Mara Souza, 48, lamenta a defasagem no piso salarial de sua categoria, hoje fixado em R$ 1.079,00 segundo o atual organograma da prefeitura. "É abaixo de um salário mínimo", critica. Os vencimentos aumentam ao final do mês, mas ainda assim não costumam ultrapassar R$ 1.500 após os descontos.

Ela teme, no entanto, não ser devidamente contemplada na revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), tarefa que está a cargo de uma consultoria contratada pela administração. "Estamos acompanhando de perto", diz.

SEM VERBA

Em entrevista coletiva no auditório do Palácio das Cerejeiras, Suéllen foi clara ao dizer que não há espaço para mais negociações.

"Para mim seria ótimo poder anunciar 12% de reajuste. Politicamente é muito bom. Mas precisamos olhar para as contas públicas também", destacou a mandatária.

Ela reiterou ainda a necessidade de se ouvir a Fundação de Previdência dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Funprev), medida que o sindicato tem criticado sobretudo porque no ano passado, quando da concessão de pouco mais de 10% de reajuste, a instituição não foi oficialmente consultada.

"Independentemente de se consultar ou não a Funprev, as discussões internas sobre o impacto orçamentário existem. No ano passado o cenário era outro, vínhamos de uma pandemia e pudemos conceder os 10% de reajuste", disse Suéllen. "Nós esticamos a corda o máximo possível".

O secretário de Finanças Everton Basílio, que participou da entrevista ao lado da mandatária, apontou que o índice de 6% de reposição foi costurado também para evitar discrepâncias nos órgãos públicos municipais - principalmente a Emdurb, cujos caixas estão deficitários.

A empresa enfrenta uma crise financeira que vem se agravando anualmente. "A Emdurb já vai sofrer para conseguir bancar os 6%, que nós garantimos, e um eventual aumento neste índice vai piorar substancialmente a situação da empresa", apontou.