O subconsciente é uma das coisas mais fascinantes da psicologia moderna. Se já é difícil conceber e designar o termo "consciência" como sendo algo que nos difere dos demais animais, tornar a seu termo mais tangível, concreto torna-se algo difícil de se imaginar. Se que para alguns a consciência é a mais perfeita expressão da própria alma, através de sua própria manifestação nas infindas formas verbais de fazer, agir, pensar e raciocinar, para outros esta não passa de um mero acaso advindo das infinitas possibilidades que a biologia de Darwin nos explica - puro acaso evolutivo, ou, seleção natural. Uma coisa não exclui a outra, é claro, e para nós, tão ocupados em nos adequar a uma sociedade moderna onde o tempo é o vilão, muitas vezes temas como estes tornam-se quase nunca discutidos ou sequer imaginados. Como imaginar, então - por definição de subconsciência - aquilo que existe na mente, mas não ao alcance da consciência, e que, contudo, pode influenciar a conduto do indivíduo? "Es denkt in mir", ou "algo pensa em mim", resume perfeitamente a aleatoriedade e a não determinância absoluta da subconsciência.
O pensador alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) defendia, numa de suas teses, que não pensamos como seres totalmente autônomos e possuidores do livre-arbítrio, mas que algo pensa em nós, de forma que todos os pensamentos que nos levam a outros pensamentos nos são providos numa sequência ilógica e que, com certeza, não são determinadas pelo ser pensante, de forma que o ser pensante não conduz seus pensamentos de forma absoluta, mas apenas serve de meio para o objeto pensado.
O homem é produto do meio e da cultura em que vive, e, conscientes ou não, todos nós pensamos. Chame a consciência humana de alma espiritual, de acaso evolutivo ou de dom sobrenatural - ela continua sendo, com certeza, duas coisas: uma vantagem e, sobretudo, um mistério.