10 de julho de 2026
SANEAMENTO

Baixo investimento derruba a nota do índice de saneamento de Bauru

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Luana Pretto, presidente do Instituto Trata Brasil, responsável pela elaboração do ranking

O baixo investimento em saneamento básico em Bauru foi o principal responsável por colocar a cidade em uma posição nada honrosa no Ranking do Saneamento 2023, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. O levantamento, que analisou dados do ano de 2021 dos 100 maiores municípios brasileiros, colocou o município na 76.ª posição entre os que melhor oferecem serviços de acesso à água, bem como coleta e tratamento de esgoto no País.

Como ainda despeja um grande volume de esgoto na natureza e, naquele ano, tinha empenhado recursos tímidos em saneamento, Bauru recebeu nota 5,49, em uma escala de 0 a 10, a pior nota entre as 28 cidades paulistas incluídas no estudo. No ano anterior, o município havia ficado em uma situação levemente menos crítica, na 73.ª posição, com 5,57 pontos.

De acordo com Luana Pretto, presidente do Instituto Trata Brasil, são dois os principais índices que rebaixaram o resultado de Bauru. Um deles é o Indicador de Tratamento Total de Esgoto, que mostra a porcentagem da população beneficiada com este serviço.

E, com a construção da Estação de Tratamento de Esgoto Vargem Limpa paralisada, apenas 4% do esgoto gerado deixa de ser despejado diretamente nos rios, sendo que o índice médio das 100 cidades foi de 63,3%. Diante desta realidade, o município ocupou a 95.ª colocação, considerando apenas este indicador.

"Ele conta muito no ranking. No município, por dia, são 26 piscinas olímpicas de esgoto lançado na natureza, sem tratamento", frisa. Ainda de acordo com o levantamento, Bauru coleta 100% dos resíduos de sua rede e também alcança o mesmo patamar no indicador que mede o número de novas ligações de esgoto, dividido pelo total que deveria ser instalado, significando o alcance da universalização do serviço.

R$ 16 POR HABITANTE

O segundo quesito que mais preocupa, segundo Luana, é o baixo volume de investimento em saneamento: para esta finalidade, a cidade empenhou R$ 16,37 por habitante no ano, quando a média nacional foi de R$ 82,00. "E, assim como o tratamento de esgoto, este último indicador também é muito menor em Bauru. Representa apenas 10% do que os 20 melhores municípios do ranking aplicam: em média, R$ 166,52 por habitante ao ano", frisa.

Segundo o indicador que calcula a média de investimentos nos últimos cinco anos (2016-2021) em saneamento, o prestador (no caso, o DAE) utilizou o equivalente a 2,94% da arrecadação municipal para este fim, quando a média dos municípios estudados foi de 19,71%. O resultado colocou Bauru em 98.º lugar no ranking deste índice específico.

Por meio de nota, o DAE informou que tomou conhecimento do relatório no final da tarde desta segunda-feira (20) e ainda não averiguou as informações divulgadas. Por se tratarem de dados coletados em 2021, acrescentou que "há necessidade de uma análise antes de tornar público um posicionamento oficial".

O RANKING

Para compor o ranking, o Instituto Trata Brasil considera informações fornecidas pelas operadoras de saneamento. Os dados são retirados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis). Como as informações possuem um tempo de defasagem, os dados do estudo de 2023 são referentes ao ano de 2021. Segundo Luana Pretto, o levantamento tem sido fundamental para revelar a lentidão com que avançam os serviços de acesso à água e tratamento de esgoto. "Ele coloca luz a este tema tão importante e que, muitas vezes, é negligenciado. É uma contribuição para que tanto a população possa cobrar melhorias, quanto os governantes se mobilizem no sentido de priorizar o saneamento básico", completa.