11 de julho de 2026
OPINIÃO

Revolução da economia verde no Brasil

Por José Eduardo Amantini |
| Tempo de leitura: 2 min
O autor é jornalista e ex-prefeito

Uma nova onda verde está inundando a nossa economia. Investimentos em energias renováveis, como a solar e a eólica não param de crescer. Nosso país já é o quarto do mundo que mais investiu em energia solar em 2022, passando de R$ 42 bilhões para mais de R$ 76 bilhões, um crescimento de 80% no último ano. Já os créditos de carbono e os títulos verdes são novos produtos do mercado financeiro que já movimentam mais de US$ 2 bilhões. E temos agora uma nova promessa de impacto global de energia limpa: o hidrogênio verde, combustível que chega para reduzir drasticamente as emissões de carbono na atmosfera e frear o aquecimento global, além de movimentar US$ 11 trilhões até 2050, sendo US$ 20 bilhões no Brasil.

Todas essas inovações que estão surgindo na busca de um mundo mais sustentável comprovam que uma nova revolução está acontecendo e o Brasil está encabeçando este movimento promissor. Afinal, já foi-se o tempo em que meio ambiente e sustentabilidade eram temas exclusivos de alguns setores da economia. Nos dias de hoje, esses assuntos guiam as decisões de governos, empresas e executivos de todo o mundo.

Para termos uma ideia da grandeza deste mercado, o Fórum Econômico Mundial de Davos divulgou recentemente um relatório com um recado muito claro e preciso: o futuro dos negócios será "digital e sustentável". Quem não adequar-se a este novo modelo, chamado "Economia Verde", estará fadado ao fracasso. Ele prioriza três pilares: a baixa emissão de carbono; a eficiência no uso de recursos naturais e a melhoria de indicadores sociais.

O conceito criado pelo programa da ONU para o meio ambiente serve para mostrar que desenvolvimentos sustentável e econômico não precisam ser contraditórios, mas devem ser complementares. E, por isso, muitos setores da economia verde estão crescendo de forma exponencial, como os mercados de energias renováveis, de tecnologia e até o financeiro.

Portanto, o Brasil é um polo de sustentabilidade e tem muito potencial para ser o líder global quando o assunto é economia verde. Três fatos recentes comprovam este avanço: a reativação do Fundo Amazônico e a consequente liberação de R$ 3,3 bilhões pela Noruega ao Brasil aplicar em projetos para combater o desmatamento; o estudo para a criação de um programa para facilitar o acesso da população às energias limpas; e a criação de uma Secretaria de Economia Verde junto ao Ministério de Desenvolvimento, que irá trabalhar em parceria com as ações do Ministério do Meio Ambiente.

Neste cenário positivo, surgirão muitas oportunidades de trabalho. A expectativa é de que sejam criadas cerca de 15 milhões de novas vagas na economia verde na América Latina até 2030, sendo que mais da metade destes empregos serão no Brasil. Portanto, quem estiver preparado para atuar nesta área sairá à frente no mercado, uma vez que empresas de todos os tamanhos e setores já estão buscando uma peça fundamental para girar essa engrenagem de sustentabilidade: um gestor de ESG, especialista em estratégias e projetos ambientais, sociais e de governança.