Enquanto fotografavam um cometa na noite de 8 de fevereiro, a equipe do Observatório Didático de Astronomia “Lionel José Andriatto” da Unesp do câmpus da cidade de Bauru aproveitou o momento para registrar também a linda Nebulosa de Órion. Essa nebulosa fica visualmente próxima das Três Marias, também conhecido por Cinturão de Órion.
Mas, como se fotografa uma nebulosa? “É preciso usar certas técnicas específicas e ter muita paciência”, diz o Prof. Rodolfo Langhi, coordenador do Observatório, “usamos um telescópio motorizado para acompanhar o movimento de rotação da Terra. Acoplado ao telescópio usamos uma câmera digital.”
Fotografar nebulosas não é como fazer fotos de pessoas ou de paisagens. Não basta apenas apertar o botão da câmera e tirar uma única foto, pois as nebulosas são astros de fraco brilho em nosso céu. “Nem nossos olhos conseguem enxergar as cores da nebulosa, por ser tão fraco o seu brilho. Ao observar pelo telescópio, nosso olho apenas vê uma manchinha esbranquiçada” – esclarece o prof. Langhi.
As cores aparecerão apenas se registrarmos fotograficamente, pois os sensores da câmera são capazes de capturar os tons coloridos. Para obter bons resultados, é necessário fazer inúmeras fotos iguais na mesma noite, sob as mesmas condições.
A próxima etapa é usar um software específico que junta todas as fotos em uma única imagem, processo conhecido por “empilhamento”. Neste processo, os detalhes da nebulosa são realçados e melhor definidos, pois pequenos registros em cada foto são somados aos demais para produzir um só resultado aprimorado no final.
Por fim, o último passo, e o mais trabalhoso e demorado, é realizar um tratamento na imagem final, usando softwares adequados que destacam detalhes e partes da nebulosa que antes não apareciam na imagem, mas estavam lá no arquivo da foto. “Além disso, é neste tratamento que eliminamos ruídos na imagem e tentamos reduzir os efeitos ruins da poluição luminosa, causada pelo excesso de luz dos postes urbanos mal projetados, que lançam luz para o céu ao invés de concentrar a emissão de luz para o chão” – explica Guilherme Bellini, um dos monitores do Observatório, que se especializou neste trabalho de astrofotografias.
Não é um trabalho fácil, pois a foto final deve mostrar a real aparência da nebulosa, ou pelo menos seu visual mais próximo do que acredita ser. “Se exagerarmos no tratamento, a foto da nebulosa pode ficar um tanto artificial” – completa Guilherme. Por isso, as técnicas usadas assemelham-se ao trabalho dos astrônomos profissionais especialistas no tratamento das imagens obtidas pelos telescópios espaciais da NASA.
O QUE É NEBULOSA
Nebulosas são grandes nuvens encontradas no espaço interestelar formadas, majoritariamente, de poeira cósmica e gases, como hélio e hidrogênio. Algumas nebulosas surgem a partir da explosão de estrelas massivas e que se encontram no ciclo final de suas vidas. Essa explosão, conhecida como supernova, lança a matéria da estrela para todas as direções, dando origem a uma ou mais nebulosas, que podem apresentar diferentes formatos e extensões, podendo medir desde o tamanho do Sol até algumas centenas de anos-luz.