11 de julho de 2026
DAE

Saraiva está fora do Departamento de Água e Esgoto de Bauru

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Larissa Bastos
Marcos Saraiva, ex-presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), vai se mudar para Manaus

O engenheiro Marcos Antônio Saraiva já não é mais presidente do Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE). Ele deixou ontem (23) o cargo que assumiu há um ano e dez meses. O secretário de Obras do município, Leandro Joaquim, foi o escolhido para dirigir a autarquia a partir de agora.

Saraiva era um dos últimos funcionários de alto escalão do governo Suéllen Rosim (PSD) que ainda permanecia no cargo desde o início de mandato. Apesar do longo período à frente da autarquia, o ex-presidente do DAE foi várias vezes cobrado pela prefeita ao longo do mandato - especialmente em épocas de crise.

Dono de uma gestão que promoveu alguns avanços, mas que não resolveu o problema da água e esgoto em Bauru, Saraiva embarca nesta sexta-feira rumo a Manaus, no Estado do Amazonas, para trabalhar numa construtora.

Sua passagem na vida pública durou apenas dois anos. Ele começou como secretário de Obras de Bauru, entre janeiro e abril de 2021, para depois assumir o DAE.

Saraiva, no entanto, já vinha da iniciativa privada: o engenheiro passou longos nove anos no Nordeste como gerente da Camargo Corrêa.

O agora ex-presidente do DAE já havia tentado ocupar cargos eletivos. Ele já foi candidato a vice-prefeito numa chapa com a hoje vereadora Estela Almagro (PT) em 2004 e depois, em 2008, disputou o pleito para vereador pelo PDT. Mas não conseguiu se eleger.

ATRITO

Saraiva sempre negou que algum mal-estar entre ele e a prefeita Suéllen Rosim. Os dois, porém, já protagonizaram duras discussões. No final do ano passado, por exemplo, a prefeita "enquadrou" o então presidente do DAE nos corredores do Palácio das Cerejeiras. Funcionários da prefeitura relataram que o clima foi tenso entre os dois.

Posteriormente, em entrevista ao JC, a mandatária admitiu a discussão, mas disse que as cobranças fazem parte de sua gestão.

Cobrado com frequência por munícipes e por vereadores, Saraiva acumulou desgastes ao longo de sua gestão e, segundo apurou a reportagem, decidiu deixar a autarquia após uma conversa com a prefeita Suéllen.

O governo municipal já tinha ciência da saída do engenheiro do cargo. Tanto que buscava há dias um nome para substitui-lo.

O ex e o recém-nomeado presidente do DAE não têm muitas afinidades e há discordâncias sobre os métodos de gestão, todos no governo sabem. Como definiu um vereador, que falou em caráter reservado ao Jornal da Cidade, "os dois não se bicam...".

DESAFIO

Leandro Joaquim, também engenheiro e formado, além disso, em Administração de Empresas pela Instituição Toledo de Ensino (ITE) em 1985, assume o DAE com o desafio de tocar uma autarquia historicamente polêmica.

O DAE tem recursos em caixa e uma poupança milionária referente à taxa do Fundo de Tratamento de Esgoto, que só pode ser utilizada para fins específicos.

Leandro Joaquim terá de enfrentar também o debate sobre a dependência de Bauru com o Rio Batalha.

No ano passado, o DAE anunciou à imprensa que diminuiu de 38% para 22,5% o número de moradores do município que são abastecidos pelo Batalha. Segundo o comunicado da autarquia, cerca de 90 mil munícipes ainda dependem do rio.

Apesar da diminuição, toda vez que o nível do Batalha cai, e o DAE precisa fazer manobras no sistema de distribuição para abastecer a região que ainda depende do rio, mais pessoas ficam sem o líquido no município - não somente a abastecida pelo leito.

Há também o desafio de se promover investimentos subterrâneos e trocar equipamentos como adutoras e o próprio sistema de encanamento - que hoje estão obsoletos.