10 de julho de 2026
EM BAURU

Governador de SP quer modernizar radares meteorológicos do IPMet

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Thales Stadler/Governo do Estado de São Paulo
Governo de SP anunciou, nesta quinta (23), em São Sebastião, pacote de medidas para o Litoral Norte

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, pretende substituir os radares do Estado, incluindo os da Unesp, por equipamentos mais modernos. A informação foi prestada por ele à Globo News no início desta semana e confirmada em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (23), em São Sebastião. Atualmente, a Unesp mantém medidores em Bauru e Presidente Prudente, operados pelo Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet).

Na coletiva, Tarcísio também anunciou que fará as necessárias obras de macrodrenagem em Bauru e Avaré para a contenção de enchentes, além de ações de desassoreamento de rios, como o Tietê e o Capivari.

Sobre o investimento em tecnologia de radares, Tarcísio destacou que o objetivo é aumentar a acurácia da previsão do tempo (leia mais na página 10). Por meio de nota, o governo acrescentou que, em reunião realizada em 8 de fevereiro entre representantes da Defesa Civil do Estado, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e Unesp de Bauru, foi definida a criação de um grupo de trabalho para estudos sobre o sistema de medidores meteorológicos do Estado de São Paulo, incluindo os equipamentos da Unesp de Bauru. A expectativa é de que os resultados sejam apresentados em 120 dias.

A mobilização decorre da tragédia que assolou diversas cidades do litoral norte do Estado, após as chuvas intensas registradas entre sábado (18) e domingo (19), que resultaram em enchentes e deslizamentos e deixaram ao menos 50 mortos. Meteorologista do IPMet, José Carlos Figueiredo explica que os radares da Unesp recebem melhorias a cada cinco ou dez anos, mas as benfeitorias não são suficientes.

"Eles estão precisando de atualizações. Como são instrumentos dotados de tecnologia, sempre precisam ser melhorado, porque tendem a se desgastar ao longo do tempo, além de ficarem obsoletos. É um apoio que estamos pedindo faz tempo. Mas a atualização do software e de componentes mecânicos e eletrônicos custam alguns milhões de reais. Sabemos que não é algo barato, mas é muito necessário", descreve.

ABRANGÊNCIA

Com tecnologia mais avançada, o IPMet teria condições de produzir informações ainda mais precisas, que são fundamentais para nortear o trabalho de Defesas Civis de centenas de cidades paulistas. Segundo o centro, juntos, os dois radares cobrem quase todo o território estadual, de uma parte ao leste do Mato Grosso do Sul até Campinas e da região de Barretos, no extremo norte paulista, até o norte do Paraná, abrangendo, inclusive, Londrina.

Por conta de fatores como distância e curvatura da Terra, os medidores só não conseguem identificar chuvas de forma mais confiável no Litoral, Região Metropolitana e Vale do Paraíba. O governador do Estado, contudo, já antecipou que pretende posicionados radares na faixa litorânea. Segundo Figueiredo, um equipamento novo pode custar cerca de US$ 5 milhões - o equivalente a R$ 25,750 milhões.

Porém, como sua finalidade é preservar vidas e o patrimônio das pessoas a partir da antecipação das condições meteorológicas, especialmente de tempestades, os valores não podem ser considerados despesas, mas sim investimentos. "Simultaneamente, as prefeituras deveriam desenvolver projetos de engenharia para solucionar as áreas das cidades que, cronicamente, sofrem com enchentes. E se preparar para que, durante a época de estiagem, não haja necessidade de racionar água", aponta.