Os escritórios regionais da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), incluindo o de Bauru, estão discutindo formas de ampliar suas arrecadações para, assim, evitar um possível fechamento de portas em todo o território paulista. As unidades começaram a perder sustentabilidade financeira à medida que os serviços prestados por elas, como o registro de documentos de empresas, passaram a ser ofertados de forma online.
Isso porque, quando o trâmite é realizado pela Internet, os valores pagos pelos usuários são remetidos à sede da Jucesp, em São Paulo. Diante dos rumores que já circulavam em Bauru, todos os vereadores da cidade assinaram uma Moção de Apelo para que a junta mantenha sua unidade no município.
Administrador do escritório regional de Bauru, Cris Moreno afirma que, junto com a sede, as 36 unidades distribuídas no Estado discutem como implantar um projeto de continuidade dos trabalhos de forma descentralizada. Entre as possibilidades consideradas, uma delas seria manter a opção para os usuários efetuarem trâmites presencialmente, via processos físicos (em papel), além de os escritórios ampliarem sua gama de serviços, que hoje só são feitos digitalmente, como o registro do livro diário (prova do resultado do balanço empresarial).
"Quando os contadores, que são 99% dos nossos usuários, usam o processo digital, mandam o documento para ser registrado em São Paulo. Logo, este processo não passa pelo balcão das unidades regionais, que não recebem a chamada retribuição de custeio, paga por estes usuários, e ficam sem receita suficiente para se manterem", descreve Moreno.
REDUÇÃO
De acordo com ele, hoje, em Bauru, cerca de 70% dos serviços são prestados de forma online pela Jucesp. Ao longo do processo de informatização, os atendimentos presenciais teriam caído para menos da metade - de 150 para cerca de 60 registros diários, o que resultou na redução do quadro de funcionários, de 20 para oito pessoas.
Agora, o esforço para encontrar novas saídas e, assim, evitar o fechamento da regional, segue no sentido de não prejudicar o setor comercial de cerca de 150 cidades da região, incluindo Bauru. "Para se ter ideia, um empresário que vai participar de um processo licitatório precisa ter um capital social de determinado valor e registrar este balanço na junta. Se ele for fazer este registro online, mandando para São Paulo, vai demorar 20, 30 dias para receber esse processo de volta. Já no balcão do escritório, consegue esse registro em 24 horas", exemplifica.
Moreno esteve nesta quarta-feira (22) com os vereadores Junior Rodrigues, presidente da Câmara de Bauru, e Miltinho Sardin, quando reivindicou uma reunião com a prefeita Suéllen Rosim para discutir o assunto, além de alertar para a necessidade de buscar diálogo com o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Jorge Lima.