Raul Gonçalves Paula (Podemos) chegou à Assembleia Legislativa de São Paulo em 31 de janeiro, um dia antes de ser oficializado deputado estadual. Nos dias que antecederam a posse, admite o médico, não se falava em outra coisa na família. "Muita expectativa", conta.
Foi recebido pela equipe do deputado Bruno Ganem (Podemos), de quem é primeiro suplente e cujo cargo assumiu porque Ganem foi eleito deputado federal.
No primeiro dia de Assembleia, Raul recebeu orientações, entrou em contato com alguns parlamentares e se preparou para o dia seguinte, quando se tornaria oficialmente o deputado Dr. Raul, seu nome de urna.
Estava acompanhado de sua mulher, a ocularista Lia Mortari Paula. Viajou sem seus filhos porque imaginava que eles não poderiam comparecer, já que também são médicos e possuem uma agenda lotada.
Do plenário do parlamento, Lia avistou alguém muito parecido com um de seus filhos. Veio, então, a surpresa: eram mesmo eles e fizeram uma surpresa para o pai, comparecendo à Assembleia sem avisá-lo.
A emoção, que já estava enorme àquela altura, explodiu quando Raul se aproximou dos filhos e percebeu que, ao lado deles, sentada numa cadeira, estava sua mãe, dona Nadir. "Isso aí me derrubou", contou Raul ao JC nesta sexta-feira (17), com os olhos marejados. A família, definitivamente reunida, pôde acompanhar a posse.
AGILIDADE
Raul permanecerá deputado até 15 de março. Serão 45 dias enquanto parlamentar, período que o médico quer otimizar o máximo possível. Colocou em prática a medida no minuto seguinte à posse, quando desceu do plenário da Assembleia e começou a cumprimentar os colegas que, dias depois, se tornariam verdadeiros parceiros em projetos.
O médico foi muito bem recebido pelo presidente da Alesp, Carlão Pignatari (PSDB), que confidenciou a outros deputados ter "gostado bastante" de Raul, segundo relatos de parlamentares ao JC.
Como o tempo é curto, Raul acorda cedo e chega à Assembleia antes mesmo de a cafeteria abrir. A Alesp conta com uma unidade do Fran's Café - que surgiu em Bauru, aliás -, onde Raul toma café da manhã diariamente. O cardápio é quase sempre o mesmo: um croissant e um milk shake.
Salvo algumas reuniões externas, o deputado fica o dia todo no parlamento. Almoça ali mesmo, onde há um buffet por quilo, e permanece em seu gabinete na maior parte do tempo. Recebe vereadores, prefeitos e representantes de classe. Deputados também passam por lá, mas estes não precisam marcar horário.
RITO
Como não permanecerá muito tempo como deputado, Raul não alugou apartamento para sua estadia em São Paulo. Dorme em hotéis - embora erre na escolha de alguns, como ele próprio admite - e está junto de sua mulher na maior parte das vezes. Ela também o acompanha na rotina parlamentar: vai ao gabinete sempre que pode e vez ou outra aproveita para ir às compras.
As sessões legislativas começam assim que há um número mínimo de deputados presentes na Assembleia - não necessariamente no plenário. O horário de início é geralmente às 14h. Os parlamentares, porém, vêm e voltam dos gabinetes ao longo da reunião.
Aqueles que estão em plenário muitas vezes assumem a Presidência da sessão. Raul não escapa disso: presidiu a assembleia em quatro curtas ocasiões. "Não difere muito de uma sessão de Câmara Municipal", revela Raul, que também já foi vereador.
Uma de suas grandes sacadas para emplacar projetos de sua autoria foi fazer parceria com deputados que foram reeleitos para a nova legislatura, que se inicia em 15 de março. Isso evita que as propostas sejam arquivadas. Até o momento, é coautor de projetos com Major Mecca (PL), Ricardo Madalena (PL), Itamar Borges (MDB), Clarice Ganem (Podemos) e Tenente Coimbra (PL).
Todos garantiram que darão seguimento às propostas de Raul, cujos olhos estão totalmente voltados ao parlamento por ora. Depois, admite, é hora de pensar no próximo passo. Ainda não decidiu se concorre a prefeito no ano que vem, mas sabe que seus 45 dias como deputado podem cacifá-lo para isso. "Vamos ver", diz.