Cemitérios, unidades de saúde, transformadores em poços do DAE, iluminação pública e agora até mesmo cabos de ar-condicionado de lojas de Bauru. A sequência de furtos de peças e fios de cobre e a posterior comercialização por donos de ferros-velhos têm mobilizado as policias Civil e Militar, empresários, comerciantes, assim como os poderes Legislativo e Executivo. Relacionado diretamente com o consumo e tráfico de drogas, o problema será discutido, na próxima quinta-feira (16), com prefeita Suéllen Rosim (PSD). A expectativa, a ser reiterada pela sociedade civil, é a criação de uma lei que coíba a ação dos ladrões, regulando e dificultando a compra do material ilegal.
Recentemente, o comerciante Luís Manflin foi vítima da ação delituosa de pessoas que levaram parte do ar-condicionado instalado do lado de fora do seu estabelecimento, a uma altura de cerca de três metros. “Aparentemente, quem furtou sabia o que estava fazendo, porque cortou os cabos direitinho. Por ser difícil de achar, o preço da peça é quase o mesmo de um ar condicionado novo”, lamentou.
Droga
O delegado Alexandre Protopsaltis, do Setor de Investigações Gerias (SIG) da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru, ressaltou a estreita relação entre os furtos e o vício em drogas. “Principalmente, fomentar o vício em crack. Este ano, os policiais identificaram em um ferro-velho quase 200 pedras de crack. O próprio responsável já entregava o entorpecente em troca do objeto furtado”, relatou.
Identificar o produto ilegal é outra grande dificuldade. Por isso, a busca pela criação de uma lei com esta finalidade. “Gostaríamos de ações mais rígidas por parte da prefeitura para estabelecer regras quanto a determinados materiais, especialmente o cobre. Temos que focar nos receptadores”, comentou.
Para ele, é possível na mesma lei isentar quem trabalha legalmente com produtos recicláveis. “Não podemos fechar os olhos para a função social de alguns estabelecimentos, mas muitos se valem disso para cometerem crimes”, ressaltou.
Ainda segundo o delegado, a Polícia Científica tem trabalhado para identificar autores deste tipo de crime, por meio da coleta de impressões digitais e material biológico. “O importante é que a polícia seja acionada o mais rápido possível e o local seja preservado”, adiantou.
Comerciantes
Primo Alexandre Mangialardo, que atua no mercado de corretoras de seguros há muitos anos, comenta que este tipo de crime tem aumentado, gerando prejuízos a comerciantes e empresários, já que o seguro não cobre equipamentos e peças que permaneçam expostas ao ar livre, como ar-condicionado, de onde os ladrões levam fios e motores. “Até um tempo atrás, um imóvel desocupado era o alvo. Agora foram vários furtos de empresas, e as pessoas ficam no prejuízo”, lamenta.
Para ele, a situação como está agrava o problema social. “É preciso uma força tarefa para criar a lei, por exemplo, prevendo que os ferros-velhos só possam comprar de pessoas jurídicas. Do jeito que está Bauru está ajudando a fomentar, de maneira indireta, o tráfico de drogas”, opinou.
Na Câmara
Em janeiro, os delegados da Seccional de Bauru Luciano de Barros Faro (titular) e Giuliano Travain (assistente) expuseram ao presidente da Câmara, Júnior Rodrigues (PSD), a necessidade de uma lei que coíba a receptação, furto e roubo de cabos e fios de cobre e chumbo, sem origem definida.
Para eles, é necessária uma legislação específica que também identifique os vendedores e os estabelecimentos que comercializam esse tipo de material de origem criminosa, e ainda garanta aos fiscais da prefeitura o poder de polícia, para que possam identificar esse tipo de mercadoria e fazer a apreensão do material clandestino.