Válidos por um determinado período, os mandatos da diretoria de comissões provisórias ou de diretórios de dezenas de partidos locais expiraram em 31 de dezembro. E a ausência de um presidente nas legendas abre margem para manobras políticas e disputas pelas respectivas siglas. Sem diretórios formados, afinal, o partido deixa de existir no âmbito municipal.
A batalha foi antecipada pela coluna Entrelinhas, do JC, há algumas semanas. Mas se evidenciou na sessão desta segunda-feira (6), na Câmara Municipal. O ex-presidente do União Brasil Caio Santos encaminhou um ofício ao Poder Legislativo indicando o vereador José Roberto Segalla como líder do partido na Casa.
A função era até então exercida pelo vereador Coronel Meira, que contestou o documento do partido e, numa contraofensiva, mostrou uma certidão do Tribunal Superior Eleitoral indicando que o União Brasil não possui mais uma diretoria desde 31 de dezembro do ano passado, quando expirou o mandato dos antigos dirigentes da legenda.
Na vacância da diretoria, Meira seguiu na liderança do partido e indicou seu nome para a Comissão de Justiça, grupo temático preferido por Segalla e do qual o vereador gostaria de ser presidente.
O episódio, na prática, evidencia uma disputa que começa a se desenhar e só termina nas eleições de 2024. Presidir um partido significa entrar no jogo político, fazer acordos e montar composições de chapa - significa, em outras palavras, ter poder.
Claro que nem todos os partidos permitem que seu presidente faça grandes exigências. Partidos bastante alinhados à esquerda, como o PSTU, possuem diretoria, mas não poder sobre o cenário local - Bauru, como se sabe, tem um eleitorado reconhecidamente conservador. Outras legendas não sofrem com esse estigma.
O Podemos, do atual deputado estadual Dr. Raul, por exemplo, está sem diretório formado. O mesmo vale ao União Brasil. Já o partido Novo, por outro lado, nunca teve uma direção formalizada em Bauru. A federação PSDB-Cidadania já articula uma formação, como noticiou o JC, e convocou uma reunião para este sábado (11).
Para além da disputa interna pela presidência ou diretoria dos partidos, a batalha pelas composições eleitorais também já começou. E ganhou novos capítulos a partir da formação das comissões permanentes da Câmara nesta segunda-feira.
Se antes interlocutores do meio político apostavam que Suéllen Rosim (PSD) trilharia sozinha rumo à reeleição, a prevalência da oposição em importantes comissões da Casa impõe um novo desafio à prefeita.
Um vereador disse ao JC, em caráter reservado, que, na prática, Suéllen está agora "nas mãos de Coronel Meira", presidente da Comissão de Justiça e cujo parecer é fundamental para a tramitação dos projetos que dão entrada na Casa. Isso significa, entre outras coisas, que a prefeita deverá ampliar - e aprimorar - o diálogo com o Legislativo.