11 de julho de 2026
BAURU

Paleontólogo de Bauru coleta fósseis na Antártica para pesquisa sobre clima

Por Marcele Tonelli e Larissa Bastos | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo pessoal
Renato Ghilardi em ponto de degelo e terra exposta, onde expedição trabalhou por um mês prospectando fósseis vegetais e animais

Fósseis de vegetais que um dia já foram troncos de árvores de uma floresta carbonizada há milhões de anos e resquícios de conchas de animais invertebrados que viviam no oceano e estão extintos. Estes são alguns dos materiais que foram coletados na Antártica e que ajudarão a revelar fatos nunca pesquisados sobre as mudanças climáticas do planeta Terra. A informação é do paleontólogo e livre-docente da Unesp de Bauru, Renato Pirani Ghilardi, que participou de uma expedição ao continente, de onde cerca de meia tonelada de material foi recolhida por pesquisadores.

Morador da cidade, ele retornou em 23 de janeiro deste ano da viagem, que foi iniciada em 22 de novembro do ano passado, conforme o JC noticiou. O grupo acampou na Ilha de James Ross, a cerca de 200 quilômetros ao sul da Estação Comandante Ferraz (base de pesquisas brasileira), localizada na Ilha do Rei George.

"Foram uns 15 dias só de viagem e mais 37 acampados na Antártica. Andávamos de 7 a 8 quilômetros diariamente até o campo de coleta, que é uma área de uns 40 quilômetros de extensão com montanhas e vales. Lá, há pontos de degelo com a terra exposta. Martelávamos rochas praticamente o dia todo. Saíamos às 9h e voltávamos às 18h para o acampamento", relata Ghilardi, detalhando que a expedição em questão só foi possível por causa do período de verão no continente.

Para se ter uma ideia, no ponto onde ele trabalhou, a temperatura varia, durante o verão, de 10 graus negativos a 5 graus, com ventos de até 100 quilômetros por hora. E o sol dura o dia todo: se põe apenas das 2h às 4h.

PRESERVADOS

A missão integra o projeto Pesquisas Paleontológicas no Continente Antártico (Paleoantar), do Museu Nacional do Rio de Janeiro, vinculado ao Programa Antártico Brasileiro (Proantar), financiado pelo CNPq.

É para o museu, inclusive, que a meia tonelada de fósseis recolhida tem sido levada de navio. Alguns materiais serão expostos e outros destinados aos pesquisadores.

Nunca estudados, os fósseis em questão, segundo explica o pesquisador, são considerados bem preservados pelo longo período que passaram no gelo e serão analisados com objetivo de ajudar a compreender como as mudanças climáticas ocorreram na Terra e, assim, dar passos a mais para desvendar o desenvolvimento do planeta.

"Recolhemos aproximadamente meia tonelada de fósseis, a maioria vegetais na forma de carvão. Eram troncos de florestas que foram carbonizados, porque há 70 milhões de anos, nessa época, era quente na Antártica e as florestas que existiam por lá pegavam fogo", explica o professor. "E também recolhemos no mesmo campo conchas de amonitas, parentes dos polvos e lulas atuais, além de dentes de tubarão e peixes", acrescenta.

Biólogo, com mestrado e doutorado em Paleontologia pela USP, Ghilardi leciona na Unesp desde 2004. Atualmente, ele é chefe do Laboratório de Paleontologia de Macroinvertebrados (Lapalma) e também é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP). Em meio ao extenso currículo, o professor desenvolve trabalhos na área de invertebrados há cerca de três décadas.

Participaram da missão ainda outros cinco cientistas brasileiros (três paleontólogos e dois agrônomos), Renato Ramos, Marcelo Carvalho, Rodrigo Figueiredo, Fernando Nadal, Heitor Paiva e o alpinista, Marcelo Campos, responsável por dar suporte necessário ao grupo.