A Câmara de Bauru retoma as atividades nesta segunda-feira (6), quando termina o recesso parlamentar iniciado na metade de dezembro. A volta dos trabalhos acontece sob a condução do novo presidente do Legislativo, Júnior Rodrigues (PSD), que assumiu a Casa após a gestão de Markinho Souza (PSDB).
Com a pauta morna, os discursos serão o maior foco da sessão. A começar pelo novo presidente, que tradicionalmente abre a primeira reunião do ano e cujas declarações devem ressaltar a independência do Legislativo e a necessidade de se discutir, de uma vez por todas, os grandes projetos para a cidade.
No ano passado, o então presidente da Câmara, Markinho Souza, chegou a agendar uma reunião pública com a prefeita Suéllen Rosim (PSD) para discutir os temas estruturantes ao município. O encontro acabou cancelado, mas os problemas - e as discussões - seguem existindo.
Ao JC, na época, o tucano disse que os dois primeiros anos não tinham sido suficientes para que a mandatária emplacasse grandes propostas e que os vereadores precisavam saber quais eram os planos do governo para o biênio que se iniciou em 1º de janeiro. O teor do discurso de Júnior Rodrigues na segunda-feira ainda é um mistério, mas pode seguir pelo mesmo sentido.
O Poder Legislativo caminha para assumir o protagonismo do debate sobre os projetos estruturantes no município. Em conversas reservadas, vereadores da oposição à situação defendem intensificar a cobrança à prefeitura sobre assuntos relevantes ao município. Alguns entendem que a postura é reflexo do entusiasmo do novo biênio. Outros, não.
Algumas atitudes da prefeita durante o recesso incomodaram parlamentares. A entrevista de Suéllen ao JC na qual ela negou ter mudado de postura durante o mandato e disse que "eles [os vereadores] é que entenderam meu jeito" pautou ligações telefônicas e conversas individuais entre integrantes do Legislativo.
A declaração da prefeita, segundo parlamentares ouvidos pela reportagem, soou como uma suposta subserviência do Legislativo ao comportamento da chefe do Executivo.
Houve também a mudança de partido. Até então no PSC de Pastor Everaldo, Suéllen se filiou ao PSD há poucos dias numa alteração que pegou parte da classe política de surpresa.
Como noticiou o JC na terça-feira (31), ainda há uma dúvida sobre as primeiras consequências da medida. O desconforto se deve ao fato de que a prefeita praticamente "tomou" as legendas por onde passou anteriormente: Patriota e PSC.
COMPORTAMENTO
Relacionado muitas vezes à imagem da prefeita Suéllen depois de passar um ano como líder do governo, o presidente Júnior Rodrigues também deve adotar uma atitude de distância - pessoal, mas não institucionalmente - da administração.
A retomada das sessões legislativas também impõe um teste ao vereador Miltinho Sardin (PTB) enquanto novo líder da prefeita. Vereadores comentam, em caráter reservado, que o petebista não pode falhar no primeiro momento.
Aliados da prefeita Suéllen Rosim, enquanto isso, têm dito à mandatária que ela precisará se adequar ao perfil do novo líder. A avaliação é de que Sardin seria menos maleável do que o ex-líder, Júnior Rodrigues (PSD), a quem os próprios colegas classificam como "pragmático".
A recíproca é verdadeira. Interlocutores do governo entendem que a relação entre Suéllen e Miltinho será "uma via de mão dupla" - um aprendendo com o outro. Sardin é visto como alguém leal, mas que não esconde o incômodo quando discorda fortemente de alguma coisa.