Em 1949 meu pai era 2º sargento num quartel de artilharia de costa (R. Luís de Camões - Santos). Certo dia daquele ano estava eu lá com meu pai quando conheci meu homenageado. Era nascido em Santos, 19 anos, 1,81 m, soldado raso e um goleiro do Jabaquara Atlético Clube. Atuava também como voluntário no time do quartel
Tornei a encontrá-lo uns 6 meses após. Perguntei sobre sua atuação como goleiro. Ele revelou-me que se sentia goleiro nota 5 dentro do critério O a 10. Desejava ser goleiro emblemático. Sabia conhecer o momento onde o sonho termina e a realidade começa. Harmonicamente articulado com 2 atacantes do time do quartel, fez treinos diários. Durante 60 minutos. Dedicou-se de corpo e alma. Os atacantes postados na grande área se revezavam chutando bolas paradas com muito vigor na direção do gol. No começo ele não pegava todas bolas. Mas depois passou a pegar todas.
Assim virou um goleiro fora da curva. Em 1951 foi contratado pelo Corinthians por 10 anos. Após, no Santos até o fim de sua carreira. Foi considerado o maior goleiro de todos os tempos por toda mídia brasileira. Votado como um dos 22 maiores goleiros do mundo no século XX, pela Federação Internacional de História e Estatística de Futebol, reconhecida pela Fifa (Zurique - Suíça).
Nos jogos em que atuou, de 1951 até o fim da carreira, nunca sofreu um gol. Eis as estatísticas endossadas pela Fifa: 1) no Corinthians: em 395 jogos = zero gol ; 2) no Santos: em 330 jogos = zero gol; 3) na seleção brasileira: em todos os jogos = zero gol. Faleceu aos 83 anos . Seu mote: "Quem sabe faz a hora; não espera acontecer". Seu nome: Gylmar dos Santos Neves.