Jaú - Um casal foi condenado a pena conjunta de 64 anos e dez meses de prisão, em regime inicial fechado, por matar a pedradas e golpes de chave de fenda, em junho do ano passado, durante um roubo em Jaú (47 quilômetros de Bauru), o motorista Roberto Antônio Izeppe, de 64 anos. A sentença é da última sexta-feira (27) e cabe recurso ao Tribunal de Justiça (TJ), mas os réus devem permanecer presos enquanto aguardam o julgamento da apelação.
Na decisão, de primeira instância, a Justiça negou o pedido da defesa para instauração de incidente de insanidade mental do réu V.S.A. e também não concordou com pedido de desclassificação do crime de latrocínio (roubo seguido de morte) imputado à ré R.A.P.S. para o crime de roubo majorado pelo concurso de agentes, que tem pena mais branda.
"Não resta dúvida acerca da prática, pelos acusados, dos delitos que lhes foram imputados", declarou o juiz da 2ª Vara Criminal de Jaú Pedro Siqueira De Pretto nos autos da ação penal. "Não merecem guarida as teses defensivas para absolvição e desclassificação, já que a prática, pelos acusados, dos crimes narrados na denúncia, foi fartamente demonstrada".
O homem foi condenado a 32 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e pagamento de 26 dias-multa. Já a mulher foi sentenciada a 32 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial fechado, e pagamento de 26 dias-multa. Além do latrocínio, eles também foram condenados pelos crimes de ocultação de cadáver e de corrupção de menor.
"Presos durante o curso do processo, com maior razão deverão permanecer custodiados, tendo em vista que continuam presentes os motivos que ensejaram a decretação de sua prisão cautelar, notadamente diante de sua periculosidade e da necessidade de impedir a reiteração criminosa e assegurar a aplicação da lei penal, ressaltando-se a reincidência", pontuou o magistrado.
RELEMBRE O CASO
Conforme divulgado pelo JC, na noite de 30 de junho de 2022, a Polícia Militar (PM) recebeu a informação de que um adolescente de 16 anos, juntamente com o casal, teria atraído Izeppe até a região do Cemitério de Potunduva para roubá-lo e que ele teria sido morto. Detido, o adolescente confessou o ato infracional e indicou onde estava escondida a van dele.
No dia seguinte, as buscas pelo homem tiveram início e, à tarde, o corpo dele foi encontrado num canavial na zona rural do Distrito de Potunduva. Segundo a Polícia Civil, a vítima foi agredida pelo adolescente com chave de fenda e por jovem de 22 anos com pedradas na cabeça, na frente da companheira deste último, de 21 anos. Morta, foi arrastada até o canavial.
As pedras usadas no crime, com vestígios de sangue, foram encontradas ao lado do corpo do homem. Num terreno baldio no Distrito de Potunduva, a polícia localizou estepe e alto falantes subtraídos do veículo. O adolescente teve a internação provisória decretada. Já o casal, que chegou a usar o cartão de Izeppe para fazer compras, fugiu e não foi encontrado.
No dia 8 de julho, os dois foram presos temporariamente por policiais civis da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú. O casal estava escondido em Mineiros do Tietê e, quando percebeu a chegada das equipes, tentou fugir, entrando em diversas casas e comércios. Na ocasião, o homem chegou a resistir à prisão e foi contido com uso de força física.