09 de julho de 2026
PARA TODOS

Tel Aviv tem história, praias e diversidade

Por Roberto de Oliveira |
| Tempo de leitura: 4 min
Pixabay
Os edifícios de pedra calcária da antiga Jaffa são convite ao passeio

Seria um pecado ir a Israel e não conhecer Tel Aviv. A metrópole, que, para ultraortodoxos de diferentes matizes, evoca as bíblicas Sodoma e Gomorra, destruídas pela ira divina, é uma ensolarada cidade de noites quentes situada à beira do Mediterrâneo, uma ode ao hedonismo.

Lá casais de todos os tipos - héteros, gays e sem definição -passeiam seus corpos sarados no calçadão de 22 km. Com seus pets a tiracolo, desfilam tranquilos por entre cadeiras de praia, guarda-sóis e torres salva-vidas.

À noite, aquela gente bronzeada vai para as ruas em busca de diversão. De domingo a domingo, Tel Aviv não dorme. De olhos abertos 24 horas por dia, sete dias por semana, a cidade é um convite aos encontros.

Guia de bares e baladas, Avital Levin, 28 anos, leva turistas a shows de heavy metal, a rodadas de drinques em clima romântico ou a um lugarzinho simples onde se possa tomar um suco de romã para refrescar a quentura da madrugada. "Você tem lugares chiques com vista de 360 graus dos telhados no 16º andar, assim como ambientes subterrâneos escondidos, secretos. É uma cidade que não para. Nem mesmo no shabat."

Dia sagrado para os judeus, o shabat começa com o pôr do sol da sexta e termina ao anoitecer do sábado. Na tradição judaica, esse é um dia dedicado ao descanso, ao recolhimento e à oração, mas Tel Aviv não se cansa e não para. "Somos uma cidade festeira, gay friendly, vegan friendly, cães friendly", diz Levin.

Da música eletrônica ao rock, o Rothschild Boulevard reúne clubes que atendem diferentes perfis. Muitos "inferninhos" costumam ter espetáculos de música ao vivo. Num mesmo espaço eclético, é possível encontrar três ambientes em sintonia.

As ruas Ben Yehuda (nome do linguista que reconstruiu a língua hebraica no século 19) e Dizengoff vão de norte a sul e percorrem praticamente todo o centro, sendo a segunda, perto da esquina com a rua Frischmann, bastante animada. Gostoso é explorá-las a pé e ir parando pelo caminho entre pubs e bares de coquetéis.

Sob a luz solar e sem o efeito dos drinques noturnos, dá para botar reparo na arquitetura Bauhaus, tão presente em Tel Aviv. São ao menos 4.000 construções, erguidas nos anos 1930 e 1940.

Esses prédios foram projetados por arquitetos imigrantes, saídos, sobretudo, da Alemanha, onde a escola de arte e design, que gerou uma abordagem revolucionária do design e da arquitetura, funcionou de 1919 a 1933, quando se tornou alvo da perseguição nazista.

Em 2003, a Unesco reconheceu o legado Bauhaus em Tel Aviv e declarou a "cidade branca" patrimônio mundial.

Bares e restaurantes modernos

Uma metrópole com cerca de 400 mil habitantes, Tel Aviv naturalmente tem bairros com identidade própria, mas, mesmo assim, com características comuns entre si: em todos eles, muita gente, de idade variada, circula de bike e, sobretudo, de patinete elétrico, a febre do momento. As vias planas que interligam os bairros favorecem o uso descontraído e saudável desses meios de locomoção.

O sol começa a se despedir, tingindo de dourado as ruas estreitas e os edifícios de pedra calcária da antiga Jaffa, e ainda faz um calor danado. Aos poucos, a brisa leve do Mediterrâneo se mistura ao ar quente da região, conhecida, em hebraico, como Yafo, lugar que, diz a Bíblia, foi fundado por Jafé, filho de Noé, após o dilúvio.

A antiga região portuária, que, no século 18 a. C, foi morada de egípcios e, até a metade do século 20, recebeu ingleses, é hoje uma vitrine pulsante da boêmia e da diversidade em Israel. Lá se reúnem artistas, judeus, árabes e turistas de muitos lugares do planeta à procura de um refúgio à beira-mar. Bares e restaurantes moderninhos, com mesas externas, pipocam pela animada rua Rabbi Yohanan, cujo nome remete a um importante rabino que viveu de 180 a 279 d.C., a quem geralmente se atribui a compilação do Talmude de Jerusalém.

Entre um boteco e outro, passam pelos olhos anfiteatro, museu, mercado de pulgas, mesquita, igreja, galerias de arte, praça. Jaffa, ou "Yafo", palavra que significa "bela", em hebraico, vai se descortinando e, aos poucos, nos ajuda a entender melhor a cosmopolita Tel Aviv. Para se ter uma vista incrível da orla de Tel Aviv, o alto da Ponte dos Desejos é parada certeira. Diz a crença popular que será agraciado com a realização de um pedido aquele que o fizer quando, ao atravessar a ponte e, de olhos voltados para o mar, tocar a placa de bronze no corrimão na qual se insculpe a representação do seu signo zodiacal.