Luisinho é aluno do professor Austero Simões Jr. (filho do Coronel Simões, o qual morre de medo, principalmente porque ousou a contrariá-lo na escolha da profissão de professor).
Austerinho, que dá aulas na escola E.E. S. G. Prof. Cara Jará Mirim. Luisinho, nosso menino, é o nono filho de um casal: Serafim e Maria Lucia.
Que são boias-frias "pobres de marré" tão pobres quanto amorosos com os filhos. Luisinho tem na escola o caminho único da salvação.
Da alma (nas aulas de religião) e do corpo, e em especial de um órgão. Este é o estômago, sempre vazio, e que dói, fazendo Luisinha e os irmãos menores chorarem.
Só estando a contento, depois da hora da merenda. Onde, rápido engole a merenda. E que, na fila, se põe novamente, "sob vista grossa" da merendeira.
Esta, que já conhece bem esse drama, e que depois, sorrateiramente, prepara algumas quentinhas. As quais o menino leva para casa, a matar a fome dos irmãos que lá ficaram, sobrando até dos pais que chegam à noitinha do mar, de cana-de-açúcar.
Mas Luisinho, mesmo assim, tem planos de estudar, se formar, ter um oficio, e, se assim Deus permitir, poder dar e ter vida descente, para toda família. E queira Ele ainda que haja tempo de os pais serem contemplados com essa boa morada.
Depois de tanto tempo de facão nas mãos, sem carteira assinada (mesmo com a parceira fiel ao lado sol a sol), quase nada conseguiu. E, agora, sofre cada vez mais, com a idade, que fora precocemente aumentada pelos maus tratos da vida, sobra trabalho, mas faltam-lhes braços e perna, para o lavoro pesado.
No entanto, quem deveria ser seu maior beneficente, o professor Austerinho Simões. Ruim e prepotente (mas sabe-se lá que traumas e segredos carrega esse indecente, seria ele uma vítima também?). Castiga Luisinho a todo momento, dando-lhe notas incoerentes e inconsistentes.
Chegando a ajoelhá-lo em cima de grãos de milho, colocando-o atrás da porta, e tome reguada na cabeça. Mesmo este pobre menino estando a acabar de começar o ano letivo.
Logo ele, apesar de tantos percalços da vida recebido, ainda sonha um dia, se o Senhor assim o permitir, ser o presidente, que mereça novamente o nosso imenso e "rico pobre" amado Brasil.
"Eu sou pobre pobre pobre demarré marré marré, eu sou rica rica rica de marré dessí"
(Jogo de rico e pobre) - canção clássica infantil- de origem Nórdica.